Por mais que 2016 tenha sido conturbado pelo viés político e econômico, o comércio eletrônico é um setor que não tem muito do que se queixar. Os números seguem apresentando resultados positivos em termos de crescimento, o que faz gestores e diretores de lojas virtuais se atentarem às tendências para o e-commerce em 2017.

Antes de falarmos delas, é bom trazermos alguns dados que ilustram esse cenário animador para o comércio eletrônico. São eles:

  • Em 2016, o crescimento foi de 11%, mesmo frente à crise que resultou em retração da economia;
  • Para 2017, especialistas esperam crescimento superior a 10% para 2017;
  • Na Black Friday 2016, aqui no Brasil, o faturamento total foi de R$ 1,9 bilhão, o que retrata um aumento de 17% em relação à mesma data em 2015. Os dados são da Ebit e divulgados pelo site Profissional de E-commerce.

Comprovada a boa fase do e-commerce em 2016, iremos conferir as tendências que prometem manter ou impulsionar esse crescimento. Vejamos as 10 tendências para o e-commerce em 2017!

1. Inbound marketing

Cada vez mais o custo de mídia sobe no Brasil afetando diretamente o ROI das campanhas e o custo de marketing da loja virtual. Com isso, os e-commerces estão buscando cada vez mais estratégias diferentes das tradicionais, que envolvam menores custos.

inbound marketing não é novidade nesse âmbito digital. A diferença é que, para 2017, o e-commerce deve fazer mais uso dessa metodologia que, a princípio, parecia não ser tão apropriada para o comércio eletrônico. Afinal, uma estratégia de prospecção passiva e de conversão mais demorada não demonstrava ser tão atrativa para as lojas virtuais, que precisam vender a todo momento.

No entanto, os e-commerces perceberam que as vantagens do inbound marketing são mais interessantes. A construção de autoridade na área de atuação da loja, a conquista de divulgadores espontâneos para a marca e o menor custo de aquisição de clientes são algumas delas.

O inbound marketing consolidará um período em que os clientes são conquistados, educados e engajados pelas empresas. Tudo isso graças a uma abordagem baseada na atração de consumidores por meio de conteúdos úteis e valiosos.

Por mais que seja uma estratégia de médio e longo prazo, os benefícios são grandes, já que aumenta o tráfego orgânico total e atua diretamente para atrair o público-alvo comprador, aumentando a conversão.

2. Chatbots

Os chatbots estão diretamente ligados ao conceito de comércio conversacional. Esse método se baseia no uso de aplicativos de troca de mensagens para atender os clientes e realizar vendas.

Os pequenos robôs (de onde vem o nome bot) que gerenciam conversas (chat) com o público utilizam apps como o Facebook Messenger, Twitter e Telegram para automatizar esses diálogos. Os bots podem realizar tarefas simples, como solucionar pequenas dúvidas do público, e atividades mais complexas, como a oferta de produtos e a conclusão de uma venda.

Esse último exemplo é possível graças à inteligência artificial dos chatbots. Dependendo de sua configuração, eles podem analisar o histórico de relacionamento do cliente com a empresa e identificar padrões de comportamento no público.

Com a entrada desses novos dispositivos, é possível diminuir os custos de operação e também aumentar o nível de satisfação do cliente, já que o atendimento é feito de forma rápida sem nenhuma espera por um atendente.

3. Mobile first

mobile first é um conceito que prega o planejamento e desenvolvimento de projetos web pensando primeiro nos dispositivos móveis e depois nos desktops. Não se trata bem de uma revolução na maneira de pensar, mas sim de uma adaptação às tendências de comportamento e consumo dos usuários.

A participação do mobile (smartphones e tablets) no faturamento do e-commerce na última Black Friday foi de quase 20%. Em 2015, ano com maior índice até então, a fatia não passou dos 8,7%, segundo a Ebit.

Isso não leva em conta o celular, que se tornou o meio de acesso à internet mais usado pelas famílias brasileiras, superando os desktops pela primeira vez, segundo o último levantamento feito pela PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e divulgado pelo IBGE.

Então, a atenção dada aos dispositivos móveis pelos e-commerces será cada vez maior, especialmente em relação à experiência móvel do usuário.

4. Aplicativos mobile

Se falássemos que a tendência são os aplicativos que funcionam como lojas, estaríamos bem atrasados. Afinal, os principais players já possuem seus próprios apps de venda.

A dica, entretanto, não tem a ver com reproduções de lojas virtuais. A ideia é levantar a possibilidade de um e-commerce investir em aplicativos mobile com outros intuitos, como entreter, interagir e promover o relacionamento entre os clientes.

A empresa pode ter um app, por exemplo, para os clientes gerenciarem seu cadastro em seu programa de fidelidade, outro com algum game para melhorar o engajamento com o público ou um com uma comunidade de clientes de um produto popular da loja. Enfim, abusar da criatividade para expandir a experiência com os consumidores mais conectados em dispositivos móveis.

5. Inteligência artificial

Para que as lojas virtuais tenham uma operação cada vez mais otimizada e eficiente, os softwares e plataformas de IA devem ser adotados com mais frequência em 2017. A ideia é, com isso, reduzir custos e erros passíveis de serem cometidos pelas falhas humanas.

Entre os inúmeros processos que podem ser automatizados sem perder a qualidade, estão:

  • A precificação, levando em consideração os custos, a formação de preço e a demanda atual por algum produto;
  • A previsão de comportamentos dos clientes, verificando automaticamente os itens com maior visualização e conversão;
  • A gestão de inventários, prevendo a necessidade de abastecimento e de crescimento de vendas de algum item;
  • detecção de fraudes, diminuindo os riscos para os lojistas;
  • Algumas ações de marketing, como retargeting, por exemplo, automatizando e atuando diretamente com o público-alvo;
  • A recomendação de produtos para os clientes, trazendo mais informações para segmentar ainda mais as ofertas durante a navegação.

6. Integração com marketplace

Essa é uma tendência voltada para donos de pequenos e médios e-commerces que precisam de mais visibilidade e estrutura sem precisar investir muito nisso.

Para eles, a integração com os marketplaces, como Lojas Americanas, Casas Bahia e Walmart, é uma solução interessante, já que essas lojas são responsáveis pelo trabalho mais pesado, como a manutenção do site, a gestão dos meios de pagamento e análise de fraudes.

Se o negócio virtual ainda está em fase inicial, integrar a um marketplace pode ser uma forma interessante de dar uma primeira escala às vendas. Em geral, os custos de comissionamento são muito menores do que criar diretamente uma venda enquanto se gera tráfego e paga-se cartão e antifraude.

Alguns lojistas, além de aumentar sua margem de contribuição, aumentam as vendas em até 75% após se integrarem a esse canal.

7. Tornar-se um marketplace

Caso o e-commerce seja grande e consolidado, um caminho interessante pode ser a transformação em um marketplace. Nesse caso, outras lojas entrantes, pequenas e médias, poderiam aproveitar da estrutura para se promoverem. Com isso, a empresa passa a faturar, também, com as comissões de vendas efetuadas por outros e-commerces. Esse é um plano que pode aumentar a margem conforme comparado em estudos da VTEX e da BRPartners.

Tal estratégia ainda pode ser cara caso a plataforma não disponibilize automaticamente integração com outras lojas. O investimento e esforço serão altos para poder integrar outras lojas.

8. Novos meios de pagamento

Quanto maior a facilidade oferecida aos clientes na conclusão da compra, melhor será para a loja. Uma das maneiras de promover essa conveniência é a ampliação dos meios de pagamento.

Soluções como o mobile payment, carteiras digitais (Samsung Pay, Apple Pay, etc.), bitcoins, tokens e cartões pré-pagos são algumas das tendências que podem se consolidar ao longo de 2017.

Adotar essa variedade é importante para atender clientes com as mais diversas preferências.

9. Novos meios de entrega

Em relação às novidades nos meios de entrega, ainda não nos referimos aos drones e carros sem motorista (essas tendências ficarão para um futuro não muito distante). O que podemos destacar, para 2017, é o serviço de entregas do Uber.

O aplicativo também chegou ao mercado de entregas. Aqui no Brasil, o primeiro segmento atendido pelo serviço foi o de delivery de comidas. O nome dessa modalidade é o UberEats, que coloca seus motoboys e motoristas cadastrados à disposição de restaurantes e lanchonetes.

Outro serviço do Uber, que já faz sucesso nos EUA, é o UberRush. Nesse sistema, as demais lojas do varejo podem agilizar o tempo de entrega de seus produtos aos clientes.

A expectativa é que esses serviços sejam ampliados tanto geograficamente quanto para os tipos de empresas atendidas, como um e-commerce.

10. Omnichannel

Essa é uma tendência já destacada no post Inovações e tendências para o e-commerce em 2017, mas vale reforçar. O omnichannel busca trazer, para o consumidor, uma experiência única e de qualidade nos diversos canais de relacionamento e vendas da empresa.

O objetivo é acompanhar o comportamento de um cliente que interage pelo site, aplicativo, redes sociais ou até mesmo nos canais físicos (se existirem). A sincronização de preços e estoque e a retirada de compras feitas na loja virtual em estabelecimento físico são exemplos de aplicação do conceito de omnichannel.

Entre as muitas tendências para e-commerce, as principais apontam para a adoção de novas metodologias e tecnologias, o foco nos dispositivos móveis e as integrações com outras lojas virtuais. Isso significa que as empresas terão que trabalhar em diversas frentes se quiserem manter um bom ritmo de crescimento em 2017.

De início, tais mudanças podem até exigir um esforço financeiro extra, mas, em compensação, poderão melhorar a operação e os resultados do e-commerce.