Startup sueca lança agentes de IA que a equipe toda herda, sem precisar de um programador
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Startup sueca lança agentes de IA que a equipe toda herda, sem precisar de um programador

Startup sueca Strawberry lança agentes de IA que times de vendas, marketing e atendimento usam sem apoio técnico, de olho no Brasil.

Por VTEX1 de nov. de 20265 min de leitura
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Um agente de IA que a equipe toda herda, não só quem sabe usar IA

A Strawberry quer resolver um problema específico: hoje, o funcionário que domina uma ferramenta de IA guarda esse conhecimento só para si, enquanto o resto do time continua no processo manual. A plataforma sueca cria agentes chamados de "AI companions" [1].

“É como trazer um novo integrante para a equipe. A ideia é oferecer um navegador que já venha com uma equipe de agentes capazes de trabalhar ao lado do usuário.”
Charles Maddock, CEO da Strawberry [1]

Esses agentes executam tarefas diretamente no navegador e podem ser compartilhados com toda a equipe depois de treinados uma única vez [1].

A diferença em relação a um chatbot comum é a persistência. Em vez de responder a um comando isolado, o agente aprende as preferências do usuário, executa tarefas no ambiente de trabalho e aprimora sua atuação ao longo do tempo, segundo a empresa. Quem herda o agente recebe também todo o histórico de aprendizado que ele já acumulou, em vez de começar do zero [1].

A startup, sediada em Estocolmo, tem apenas 12 funcionários e foi fundada por Charles Maddock (CEO), Sebastian Thunman (COO) e Arian Hanifi (CTO). Também recebeu aportes-anjo de empreendedores ligados a Lovable, Supabase e Hugging Face, três nomes de peso no universo de desenvolvimento assistido por IA [1].

Da prospecção ao CRM: para que serve na prática

A plataforma mira especificamente vendas, recrutamento, marketing e atendimento ao cliente, as funções mais próximas da operação comercial de qualquer empresa que vende on-line. O agente registra as informações direto num sistema de CRM, sem que ninguém precise copiar e colar dados entre telas [1].

ÁreaO que o agente pode assumir
VendasPesquisar leads, preparar abordagens e atualizar o CRM [1]
MarketingProduzir relatórios periódicos de performance [1]
RecrutamentoAnalisar perfis de candidatos em lote [1]
AtendimentoOrganizar a caixa de entrada e preparar respostas [1]

Como funcionam as rotinas automáticas e a divisão de tarefas entre agentes?

A versão 1.0 trouxe a possibilidade de programar rotinas que disparam em horários fixos ou em resposta a eventos, como a chegada de um e-mail ou de um novo contato comercial [1].

A plataforma também divide tarefas grandes entre agentes menores que trabalham em paralelo. Uma pesquisa sobre 200 empresas ou a análise de 100 perfis de candidatos pode ser fatiada entre vários agentes simultâneos, que depois consolidam os resultados num único relatório [1].

Outro recurso gera notas automáticas de reuniões feitas no Google Meet, Zoom e Microsoft Teams, com a gravação feita direto no computador do usuário, sem precisar adicionar um bot à chamada [1].

Por que a governança ainda é o gargalo da IA agêntica no Brasil?

A facilidade de criar agentes tem como contrapartida o controle, e os números do mercado brasileiro mostram que esse equilíbrio ainda não foi encontrado.

Um estudo da Phronesis Partners encomendado pela ServiceNow, que ouviu 150 executivos brasileiros, traz um retrato do descompasso entre adoção e controle [4]:

Do outro lado, o apetite por essa tecnologia só cresce. Uma pesquisa da Abes, feita com 103 executivos brasileiros e 507 latino-americanos, mostra que IA generativa é a principal iniciativa para 37% dos profissionais no Brasil, dez pontos percentuais acima da média da região [2].

A mesma pesquisa aponta que 53% dos líderes do país colocam IA e agentes como prioridade estratégica número um para 2026 [2]. Um retrato semelhante aparece no CIO Playbook 2026 da Lenovo: as iniciativas de IA no Brasil já não se limitam à área de TI e passaram a abranger funções voltadas ao cliente, como marketing, vendas e desenvolvimento de produtos [3].

  • 49% das organizações já operam entre 100 e 999 agentes de IA, e outras 35% ultrapassam mil agentes [4].
  • Apenas 19% conseguem mapear esses agentes em tempo real [4].
  • 29% das empresas relataram a presença de agentes desconhecidos em produção, o chamado "Shadow AI" [4].
  • Só 13% possuem segurança defensável em áreas fundamentais [4].

Segurança e preço: como a startup lida com dados sensíveis

A Strawberry afirma ter proteções contra prompt injection, a técnica que tenta manipular agentes por meio de instruções maliciosas escondidas no conteúdo que eles processam, além de um sistema de permissões que define quais ferramentas cada agente pode usar [1]. É possível, por exemplo, autorizar um agente a redigir e-mails mas bloquear o envio sem aprovação humana, segundo o CEO Charles Maddock [1].

A empresa oferece residência de dados na União Europeia para clientes do bloco e possui certificações SOC 2 Type I e II, voltadas a controles de segurança e gestão de informações [1].

Como a plataforma atua na camada de aplicação e não depende de um único modelo, as empresas podem usar suas próprias chaves de API, alternando entre modelos mais baratos para tarefas simples e modelos mais avançados para atividades longas e complexas [1].

A plataforma está disponível para macOS e Windows, com um plano gratuito e opções pagas a partir de US$ 20 por mês, variando conforme o nível de uso [1].

De olho no Brasil, ainda sem escritório marcado

A Strawberry já lançou a versão 1.0 globalmente e enxerga o Brasil como um mercado relevante, embora sem planos concretos de abrir um escritório local por enquanto. Laurits Wehding, founding operator da startup, disse ao site Startups que o país tem chamado a atenção da empresa pela velocidade de adoção de IA relatada por outras startups do setor [1].

"Ouvi dizer que o Brasil é um mercado bastante interessado em inteligência artificial, inclusive em termos de adoção. Conversei com meus amigos de outras startups de IA e vibe coding, e eles disseram que o Brasil é um mercado que se movimenta muito rapidamente para eles", afirmou Wehding [1].

O que isso significa para quem vende on-line no Brasil

Para operações de comércio digital, o lançamento da Strawberry confirma uma tendência maior do que a própria empresa: equipes de vendas, marketing e atendimento ao cliente estão virando o novo centro de gravidade da adoção de IA agêntica, deslocando a decisão para fora da área de TI.

Isso cria oportunidade e risco na mesma proporção. A oportunidade é dar a quem toca o funil comercial, o CRM e o relacionamento com o cliente uma ferramenta que não depende de backlog de desenvolvimento.

O risco, mostrado pelos números de Shadow AI no Brasil, é multiplicar agentes que ninguém no TI consegue enumerar, auditar ou desligar com segurança [4].

Antes de liberar qualquer plataforma desse tipo para times comerciais, faz sentido mapear quais sistemas esses agentes vão acessar, quem aprova ações irreversíveis como o envio de um e-mail ou uma atualização de preço, e como esse uso será registrado para fins de auditoria e de conformidade com a LGPD.

Fontes

  1. [1]Startups, Strawberry lança plataforma de agentes de IA para times não técnicos — startups.com.br
  2. [2]MobileTime, Abes: 7 em 10 empresas miram adotar IA e agentes em 1 ano — mobiletime.com.br
  3. [3]Forbes Brasil, Concierge Sintético: no Brasil, Agentes de IA Já São Prioridade, Aponta Pesquisa — forbes.com.br
  4. [4]MobileTime, Pesquisa mostra avanço da Shadow AI com agentes de IA — mobiletime.com.br