Pix Automático cresce, mas Adyen diz que modalidade ainda precisa de ajustes para decolar
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Pix Automático cresce, mas Adyen diz que modalidade ainda precisa de ajustes para decolar

Adyen listou travas no Pix Automático e levou propostas ao Banco Central, enquanto a modalidade soma R$ 3,5 bi em transações no 2T26.

Por VTEX2 de nov. de 20263 min de leitura
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Adyen leva ao Banco Central uma lista de travas do Pix Automático

Durante um evento em 21 de outubro na sede brasileira da fintech, executivos da Adyen disseram que o Pix Automático segue crescendo, mas ainda tem pontos de fricção que travam a adoção por mais empresas. A companhia levou ao Banco Central propostas para destravar jornadas de autorização e flexibilizar os ciclos de cobrança [1].

A Adyen mira três frentes específicas: a fricção na coleta de dados bancários do consumidor em uma das jornadas de pagamento, o aceite opcional de recorrência que não é obrigatório em outra jornada (ambas detalhadas a seguir), e o ganho marginal ainda reduzido ao combinar Pix Automático com Open Finance [1].

Segundo a empresa, o produto já movimenta R$ 1,68 bilhão por mês somente em sua carteira de clientes, com crescimento consistente em transações e volume financeiro a cada mês. O uso vem se espalhando para setores como saúde, softwares como serviço (SaaS), seguradoras, mercado imobiliário, concessionárias de utilities e a chamada creator economy [1].

Por que só duas das quatro jornadas de autorização pegaram tração?

O mercado hoje concentra o uso do Pix Automático em apenas duas das quatro jornadas de autorização previstas pelo Banco Central: aquelas baseadas em QR Code e em Pix Copia e Cola, recursos que os consumidores já conhecem de outras funções do Pix. As outras duas seguem praticamente inexploradas [1].

“Temos uma sugestão: em vez de coletar esses dados bancários todos, se eu só usar a chave fixa do consumidor, talvez isso funcione melhor.”
Fernando Ribeiro, gerente de produto da Adyen [1]

A jornada 1 permitiria autorizar a recorrência diretamente pelo aplicativo do banco, a partir de uma notificação, sem precisar escanear nenhum código. Apesar de ser, em tese, a experiência mais simples para o usuário final, ela exige que a empresa recebedora colete dados bancários completos do cliente, como banco, agência e número da conta. Isso aumenta o risco de erro e a complexidade operacional para quem recebe os pagamentos [1].

Já a jornada 4 permite que, após uma transferência Pix comum, o consumidor opte por transformar aquele pagamento em recorrência. Como a adesão não é obrigatória nem conduz automaticamente o usuário à recorrência, as empresas ainda demonstram pouco interesse nesse modelo [1].

O Pix Automático dobrou de tamanho, mas segue pequeno perto do Pix tradicional

Apesar das travas, os dados do Banco Central mostram aceleração no segundo trimestre de 2026, tanto em operações quanto em volume financeiro e em base de empresas [2].

“O Banco Central tem mapeado alguns aprimoramentos do produto, mas entendemos que é um produto cuja adesão é diferenciada.”
Márcia Vicari, chefe da divisão de Gestão do Pix do BC [2]

O crescimento na base de empresas aceitando a modalidade é um dos indicadores mais observados pelo mercado, já que o Pix Automático só compete de fato com o débito automático quando está disponível em escala. O próprio Banco Central reconhece que a curva de adoção é diferente da observada no Pix tradicional.

Para dimensionar a distância: o Pix como um todo somou quase 44 bilhões de transações no primeiro semestre de 2026, alta de 19,4% ante igual período de 2025, e respondeu por 28,1% do volume financeiro de pagamentos de varejo no país, atrás apenas da TED [2].

Indicador2T26Variação trimestral
Transações9,5 milhõesmais que dobrou [2]
Volume financeiroR$ 3,5 bilhões+52% [2]
Recebedores ativos14 mil (ago/26)de 1 mil no fim de 2025 [2]

Quando o Pix Automático chega às contas-salário?

O Banco Central já publicou duas normas centrais para acelerar a adoção do Pix Automático: a Resolução BCB nº 505, de setembro de 2025, que obrigou a migração de autorizações de débito recorrente para o regime do Pix Automático com prazo até janeiro de 2026, e a Resolução BCB nº 587, de setembro de 2026, que ampliou o uso da modalidade para permitir pagamentos a partir de contas-salário [1].

Esse avanço regulatório, porém, ainda tem um horizonte longo pela frente: o agendamento do Pix Automático em contas-salário só passa a valer a partir de julho de 2027, segundo o cronograma definido pelo próprio Banco Central [1]. O potencial de inclusão financeira segue sendo um dos principais argumentos do regulador a favor do produto.

Isso porque o Pix Automático dispensa análise de crédito e pode alcançar até 60 milhões de brasileiros que hoje não têm cartão de crédito [3].

O que a lentidão da adoção significa para quem vende online

Para quem opera assinaturas, mensalidades ou cobranças recorrentes no Brasil, o recado é que o Pix Automático já é uma alternativa real ao débito automático tradicional, mas ainda não substitui outros meios de pagamento no checkout no curto prazo. Grandes marcas como Amazon, Netflix, Disney+, Globoplay e Grupo OLX, além de concessionárias como Vivo, Cemig e Equatorial Energia, já oferecem a modalidade [2].

Isso significa, na prática, manter flexibilidade operacional:

  1. 1Suportar cartão recorrente, boleto e Pix Automático em paralelo, já que a migração de clientes para a nova modalidade é gradual e depende de jornadas que ainda estão em evolução regulatória [1].
  2. 2Antecipar restrições de ciclo de cobrança, como a exigência de agendar pagamentos com dois ou dez dias de antecedência, um dos pontos que a Adyen está discutindo com o Banco Central para flexibilizar [1].
  3. 3Acompanhar a entrada da conta-salário no sistema como uma nova fonte potencial de recorrência de consumidores sem cartão de crédito [1].

Fontes

  1. [1]Finsiders Brasil, Pix Automático precisa de ajustes para ganhar tração, defende fintech — finsidersbrasil.com.br
  2. [2]Finsiders Brasil, Pix Automático dobra operações e movimenta R$ 3,5 bi no 2T26 — finsidersbrasil.com.br
  3. [3]InfoMoney, Bancos liberam Pix Automático para todos os clientes; veja como funciona — infomoney.com.br