BC regulamenta Pix Automático em conta-salário e boleto híbrido: o que muda para quem vende online
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BC regulamenta Pix Automático em conta-salário e boleto híbrido: o que muda para quem vende online

BC libera Pix Automático em conta-salário e regulamenta o boleto híbrido. Entenda prazos e o impacto para quem vende online.

Por VTEX21 de set. de 20264 min de leitura
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O que muda com a Resolução BCB nº 587?

O Banco Central alterou treze pontos do regulamento do Pix por meio da Resolução BCB nº 587, publicada em 18 de setembro de 2026. As duas mudanças de maior interesse para quem vende online são a liberação do Pix Automático em contas-salário e a criação de regras específicas para a cobrança híbrida, que combina boleto e Pix no mesmo documento [1].

O pacote também reforça o combate a fraudes, altera critérios de participação obrigatória de instituições no arranjo e ajusta o desligamento de participantes que ofereçam risco ao sistema. Nem todas as regras entram em vigor ao mesmo tempo: parte já vale desde a publicação, e o restante é implementado de forma escalonada até julho de 2027 [1].

O que é o Pix Automático em conta-salário e quando entra em vigor?

O Pix Automático em conta-salário permite que o trabalhador autorize o débito automático de pagamentos recorrentes, como mensalidades e contas de consumo, usando o saldo depositado pelo empregador. A modalidade só passa a valer em 1º de julho de 2027 [1].

Ela será a única forma de envio de Pix permitida a partir de uma conta-salário. Essas contas continuam impedidas de receber outras transferências Pix de terceiros, com exceção de valores da Secretaria do Tesouro Nacional e de devoluções [1]. Para empresas que cobram recorrências, isso abre um canal que hoje está fechado: uma parcela relevante da folha de pagamento brasileira circula por contas-salário sem histórico de recorrência automatizada.

Como funciona a cobrança híbrida entre boleto e Pix?

A cobrança híbrida reúne, no mesmo documento, o código de barras tradicional do boleto e o QR code do Pix Cobrança, permitindo que o cliente escolha a forma de pagamento. A prática já era usada por parte do mercado, mas passa a ter regras próprias a partir de 1º de fevereiro de 2027 [1].

A modalidade se aplica apenas a cobranças Pix com vencimento e a boletos comuns ou dinâmicos sem vínculo com ativos financeiros. Boletos de proposta, depósito e aporte ficam de fora. Quando o boleto é pago, o Pix Cobrança correspondente deve ser cancelado automaticamente, e o inverso também vale, para evitar pagamento em duplicidade [1].

Isso reduz um risco operacional que hoje recai sobre o lojista: reconciliar manualmente cobranças pagas duas vezes quando o cliente usa boleto e Pix para o mesmo pedido.

Quando cada regra passa a valer?

A implementação é escalonada em três fases, o que dá às empresas um prazo definido para ajustar checkout, conciliação financeira e cobrança recorrente antes de cada data entrar em vigor [1].

FaseO que mudaData
ImediataMarcação de fraude no DICT, critérios de participação e desligamento de instituições18 de setembro de 2026 [1]
Fase 2Cobrança híbrida, comunicação de fraude ao usuário, campanhas sobre o MED1º de fevereiro de 2027 [1]
Fase 3Pix Automático em contas-salário e novas regras de QR code estático1º de julho de 2027 [1]

O que muda no combate a fraudes no Pix?

A resolução deixa mais claro quem responde por uma marcação de fraude no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT) e cria um prazo de resposta para o usuário contestar. O objetivo é dar mais transparência ao processo sem travar a operação de quem paga e recebe pelo Pix.

  • A instituição que registra ou aceita uma suspeita de fraude passa a ser responsável pela marcação ou pelo cancelamento no DICT [1].
  • O usuário deve ser notificado sobre a marcação, com prazo de resposta de até sete dias [1].
  • Marcações confirmadas ficam registradas por cinco anos, vinculadas ao CPF ou CNPJ do responsável [1].
  • As instituições passam a monitorar ofertas excessivas de Pix Automático e devem promover campanhas informativas sobre o Mecanismo Especial de Devolução (MED) [1].

Por que isso importa para quem vende online no Brasil?

Para times de comércio digital, a mudança mais imediata é operacional: quem oferece boleto e Pix como opções de pagamento no checkout terá regras formais para evitar cobrança duplicada a partir de fevereiro de 2027, o que deve simplificar a reconciliação financeira. Isso vale tanto para varejo quanto para operações B2B que ainda dependem de boleto para grandes tickets.

O horizonte de julho de 2027 para o Pix Automático em contas-salário interessa em especial a negócios de assinatura, educação, saúde e serviços recorrentes, que hoje disputam adimplência com o débito automático tradicional. Abrir a recorrência para quem só tem conta-salário amplia o público endereçável sem depender de cartão de crédito.

Como as datas já estão definidas, times de TI e de pagamentos têm uma janela concreta para testar a nova jornada de cobrança antes da entrada em vigor de cada fase, em vez de reagir depois que a regra já estiver valendo.

O que os primeiros números do Pix Automático já mostram?

O Pix Automático, lançado pelo Banco Central em junho de 2025, já mostra tração relevante entre bancos que abriram seus próprios números. No Itaú, o volume financeiro processado pela ferramenta cresceu 281% no primeiro semestre de 2026 frente ao segundo semestre de 2025, enquanto a base de clientes que autorizou a recorrência avançou 185% no mesmo período [2].

É uma infraestrutura democrática e abrangente que pode ser acessada por qualquer porte de empresa e debitar de clientes de qualquer instituição financeira.
Angelo Russomanno, diretor de recebimentos e adquirência do Itaú Unibanco [2]

Segundo o banco, 90% das cobranças recorrentes feitas via Pix Automático foram efetivamente liquidadas, um ganho de 22 pontos percentuais sobre o débito automático tradicional [2]. Os maiores volumes de pagamentos recorrentes via Pix hoje vêm dos setores de condomínio, educação e saúde, ainda em estágio inicial de adoção do mecanismo [3].

Diferente do débito automático, que exige convênio individual entre empresa e cada banco, o Pix Automático usa a infraestrutura já compartilhada do Pix, o que reduz a barreira de entrada para negócios menores que antes não conseguiam oferecer cobrança recorrente [2].

Fontes

  1. [1]Mobile Time, BC regula Pix Automático para Conta-Saláriomobiletime.com.br
  2. [2]Exame, No Itaú, Pix Automático ganha espaço do débito em conta e cresce 281% em meio anoexame.com
  3. [3]Mobile Time, Itaú: volume cobrado via Pix automático cresceu mais de 280% no 1º semestremobiletime.com.br