Quem vai movimentar o e-commerce 2036?
Quem vai sustentar o próximo ciclo de expansão do e-commerce não é o público jovem que historicamente definiu o canal, mas sim consumidores de 45 anos ou mais. Um estudo do World Data Lab (WDL) em parceria com a EBANX, divulgado em outubro de 2026, projeta que esse grupo vai responder por 51% do aumento do gasto online anual em mercados emergentes até 2036.
Esse crescimento equivale a US$ 4,4 trilhões [1]. Dentro desse recorte, a faixa que mais acelera não é a de 45 a 64 anos, e sim a de 65 anos ou mais, com crescimento anual projetado de 12,2%, a maior taxa entre todos os grupos etários analisados pelo estudo [1]. Juntas, essas duas faixas devem somar 393 milhões de novos consumidores online nos mercados emergentes ao longo da década [2].
A mudança alcança até categorias associadas a um público mais jovem. Em 2036, pessoas de 45 a 64 anos devem gastar US$ 318 bilhões com games, streaming e redes sociais, quase 25% a mais do que a faixa de 15 a 29 anos [1].
Por que um checkout pensado só para jovens perde os dois grupos?
Um checkout desenhado apenas para o comportamento de compra de um jovem de 25 anos deixa de atender tanto quem já compra pelo celular há anos quanto quem está estreando no comércio digital depois dos 50. Essa é a leitura de Wolfgang Fengler, CEO do World Data Lab, sobre o que a mudança demográfica exige das empresas.
“Algumas dessas pessoas já fazem compras pelo celular e continuarão fazendo conforme envelhecem. Outras comprarão online pela primeira vez aos cinquenta ou sessenta anos. Os merchants que criarem seu sistema de checkout pensado apenas em jovens de 25 anos perderão ambos os grupos.”
Parte da explicação para esse movimento está na expansão da classe média nos mercados emergentes, que deve ganhar 930 milhões de adultos até 2036 e chegar a 3,8 bilhões de pessoas, considerando quem gasta mais de US$ 13 por dia. No mesmo período, a classe média de economias desenvolvidas, como Estados Unidos e Europa, deve encolher em 37 milhões de pessoas [1].
Brasil é o terceiro mercado que mais cresce entre os emergentes
O Brasil deve registrar o terceiro maior crescimento absoluto em gasto online entre os mercados emergentes na próxima década, com US$ 249 bilhões a mais até 2036, atrás apenas de China (US$ 4,7 trilhões) e Índia (US$ 1,3 trilhão), e à frente de Indonésia (US$ 243 bilhões) e México (US$ 191 bilhões) [1].
No recorte específico do país, outro levantamento do EBANX com o World Data Lab, o relatório Beyond Borders 2026, projeta que o gasto online dos brasileiros cresça 104% até 2036, enquanto o consumo total deve avançar 66% no mesmo período. Com isso, a participação do e-commerce no consumo das famílias brasileiras deve passar dos atuais 11,5% para 15,2% em dez anos [3].
O mesmo levantamento identifica o público acima de 65 anos como o que mais cresce no e-commerce nacional, com mais de 21 milhões de brasileiros entrando na classe consumidora até 2036 [3].
| País | Crescimento projetado em gasto online até 2036 |
|---|---|
| China | US$ 4,7 trilhões [1] |
| Índia | US$ 1,3 trilhão [1] |
| Brasil | US$ 249 bilhões [1] |
| Indonésia | US$ 243 bilhões [1] |
| México | US$ 191 bilhões [1] |
Sem cartão de crédito, o checkout muda de meio de pagamento
Em mercados emergentes, o comércio eletrônico vai crescer cada vez mais sem depender do cartão de crédito. O estudo projeta que o gasto online de adultos sem acesso a esse instrumento vai crescer 130% na próxima década, de US$ 3,3 trilhões atualmente para US$ 7,6 trilhões em 2036 [1].
“Se o seu checkout só aceita cartão de crédito, você está conversando com apenas um em cada cinco adultos nos mercados emergentes e abrindo mão dos outros quatro.”
Até 2036, apenas 20% dos adultos em mercados emergentes devem ter cartão de crédito, bem abaixo dos 66% estimados para economias desenvolvidas. Entre quem vai estrear no e-commerce nesses países, dois em cada três (67%) não terão cartão de crédito [1].
Para Estelita Hass, líder de Inteligência de Mercado da EBANX, soluções financeiras locais, batizadas de LPMs (local payment methods), foram o que permitiu esse crescimento sem depender do cartão [1].
No Brasil, esse papel já é exercido pelo Pix, que responde por 45% do volume do comércio digital no país, segundo dados da PCMI citados pelo setor [3]. Marie-Elise Droga, Chief Revenue Officer da EBANX, resume o risco para quem não se adapta.
Onde o gasto deve crescer mais rápido até 2036
O varejo segue a vertical com maior ganho em valor absoluto, com alta projetada de US$ 4,3 trilhões em gastos online até 2036, mas não é a que mais acelera em ritmo. Games lidera o crescimento percentual entre as categorias analisadas pelo estudo [1].
Em todas essas categorias, consumidores sem cartão de crédito já respondem por mais da metade do gasto online nos mercados emergentes. O estudo também estima que pelo menos 957 milhões de pessoas nesses países já pagam digitalmente, mas nunca fizeram uma compra pela internet, um contingente de oportunidade para quem reduzir as barreiras de entrada [1].
| Categoria | Crescimento anual projetado | Valor adicional até 2036 |
|---|---|---|
| Games | 14,2% [1] | US$ 352 bilhões [1] |
| SaaS (software como serviço) | 9,6% [1] | US$ 459 bilhões [1] |
| Redes sociais | 9,7% [1] | US$ 202 bilhões [1] |
| Viagens | 8,1% [1] | US$ 1,2 trilhão [1] |
| Streaming | 8,0% [1] | US$ 194 bilhões [1] |
Jovens continuam relevantes, mas em ritmo mais lento
A transição demográfica não tira a relevância dos consumidores jovens, sobretudo em regiões de população mais jovem, como a África Subsaariana. No conjunto dos mercados emergentes, 221 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos devem fazer sua primeira compra online na próxima década [1].
O gasto online dessa faixa etária deve crescer US$ 1,9 trilhão, a um ritmo de 8,7% ao ano, a segunda maior taxa do estudo, atrás apenas dos 12,2% projetados para o público com 65 anos ou mais [1]. Ou seja, o público jovem continua crescendo, só que mais devagar do que os consumidores mais velhos que estão entrando ou se aprofundando no comércio digital.
O que muda na prática para quem vende online no Brasil
A combinação de um público mais velho, com mais renda e menos dependente de cartão de crédito cria uma agenda concreta para operações de e-commerce no país. Três frentes concentram o impacto mais direto das projeções:
Essa mudança de perfil acontece junto com uma exigência maior de consistência operacional: cerca de nove em cada dez compradores online já colocam frete grátis, rapidez e devolução fácil quase no mesmo patamar de importância do preço [3].
Para operações que vendem no Brasil, atender a esse padrão com um público mais diverso em idade, renda e meio de pagamento deixa de ser ajuste pontual e passa a ser parte do planejamento de longo prazo até 2036.
- 1Diversificar meios de pagamento no checkout, priorizando Pix e outras soluções locais, já que a dependência exclusiva do cartão de crédito exclui consumidores que ainda não entraram no comércio digital [1][3].
- 2Simplificar a jornada de compra para um público com pouca tolerância à frustração: frete e prazo claros desde a página do produto, linguagem direta e atendimento humano fácil de acionar deixam de ser diferencial e passam a ser requisito [3].
- 3Tratar categorias como games, streaming e redes sociais como frentes de crescimento também entre consumidores de 45 a 64 anos, não apenas entre o público jovem [1].
Fontes
- [1]Consumidor Moderno, Mais velhos, com mais renda e sem cartão: quem vai movimentar o e-commerce até 2036 — consumidormoderno.com.br
- [2]TI Inside, Consumidores com mais de 45 anos responderão por 51% do crescimento do e-commerce em mercados emergentes — tiinside.com.br
- [3]E-Commerce Brasil, Projeções do e-commerce no Brasil: o que esperar até 2036? — ecommercebrasil.com.br



