Quanto a Black Friday 2026 deve movimentar na Peak Season da DHL?
A DHL Supply Chain projeta um crescimento de 27% no volume de mercadorias durante sua Peak Season 2026, o período de outubro a dezembro que tem a Black Friday como principal evento, segundo Solon Barrios, vice-presidente de Retail e E-commerce da companhia no Brasil [1].
No acumulado do ano, o avanço deve fechar em 14% na comparação com 2025, e a receita da operação também deve crescer, embora a empresa não tenha aberto a taxa [1].
O dado chama atenção porque vem num cenário de juros elevados e de dificuldades financeiras em parte do varejo brasileiro, incluindo recuperações judiciais e extrajudiciais de redes conhecidas [1]. Questionado sobre o impacto desses eventos na operação, Barrios afirmou que a DHL não sentiu reflexos relevantes nem na demanda, nem na relação com clientes [1].
Para o executivo, categorias como beleza, suplementos e health & nutrition vêm compensando a retração de outros segmentos mais pressionados pelo crédito restrito [1].
Só em novembro, mês que concentra a Black Friday, a expectativa é movimentar mais de 37 milhões de itens, um salto de 19% em relação a um mês convencional de operação [1]. Para absorver essa demanda, a empresa deve reforçar as operações com cerca de 2.600 trabalhadores temporários, crescimento de 38% no quadro em relação a um mês comum [1].
Por que a Black Friday 2026 deixou de ser um único dia?
Isso significa que a data em si perdeu peso relativo frente ao mês inteiro de promoções, à medida que varejistas espalham ofertas por Black Week, Cyber Week e datas duplas como 11/11 em vez de concentrar tudo numa sexta-feira. Para Barrios, essa é a principal mudança observada nos últimos anos, mais do que o tamanho do evento em si [1].
"Foram criando Black Week, Cyber Week, Black Monday e foram diluindo esses picos em picos menores", disse o executivo à InfoMoney [1]. Na prática, isso faz de novembro inteiro o principal período operacional para as empresas de logística, substituindo a concentração histórica num único dia [1].
A diluição também favorece o planejamento. Segundo José Mattos Alvarado, diretor de Operações de Retail e E-commerce da DHL Supply Chain Brasil, um pico concentrado multiplica o volume diário por dez ou vinte vezes de um dia para o outro, enquanto uma curva mais distribuída reduz custo e melhora o nível de serviço [2]. Por isso, o planejamento da temporada de novembro começa em julho [2].
Por que a Black Friday 2026 muda o chão do centro de distribuição?
A resposta direta é a mudança no mix da operação: em um mês comum, as vendas B2C representam em média 15% do volume das operações omnichannel da DHL, mas esse percentual sobe para 28% durante a Black Friday e o Natal [2].
A diferença obriga o centro de distribuição a trocar a separação de pallets inteiros pela separação item a item, com embalagem individual e expedição para destinos dispersos [2].
Para sustentar esse salto, a companhia aposta no modelo de armazém compartilhado DHL Fulfillment Network (DFN), hoje com cinco centros de distribuição em Jandira, Cajamar, Serra, Brasília e Extrema, somando mais de 35 mil metros quadrados, crescimento de 67% na área de armazenagem frente a 2025 [2].
A rede atende mais de 20 operações de setores distintos, de marketplaces a moda e artigos esportivos, com tarifa variável e implantação em 30 a 45 dias, contra 45 a 90 dias de uma operação dedicada [2].
| Momento da operação | Fatia do B2C no volume | Tipo de separação |
|---|---|---|
| Mês comum | 15% [2] | Pallets e caixas fechadas |
| Black Friday / Natal | 28% [2] | Itens avulsos, embalagem individual |
A automação substitui os trabalhadores temporários na Black Friday 2026?
Não, a automação não substitui os trabalhadores temporários da alta temporada: ela convive com eles. A divisão de Supply Chain da DHL já emprega 24 mil pessoas no Brasil, ante cerca de 18 mil no ano anterior, e o executivo lê esse crescimento do quadro como evidência de que a tecnologia tem acompanhado a expansão do negócio, não substituído mão de obra [1].
“É impossível fazer isso sem tecnologia. Preciso da tecnologia para que seja possível escalar a operação. E sigo investindo em tecnologia e contratando pessoas.”
Entre as apostas tecnológicas para a Peak Season 2026 estão:
Segundo Barrios, os robôs de deslocamento horizontal já geram ganho de produtividade de cerca de 14% nessa etapa, historicamente responsável por fadiga e perda de rendimento das equipes de separação [2].
A companhia também estruturou o Last Mile Orchestration, uma torre de controle que escolhe a transportadora de cada pacote por critérios de custo, prazo, desempenho e localização definidos pelo cliente, sobre uma malha de 3 mil a 4 mil veículos majoritariamente terceirizados [2].
- Leitura automática de etiquetas por reconhecimento óptico de caracteres (OCR), que extrai dados como CEP e transportadora e direciona o pacote em tempo real pelo sistema de gestão de armazém (WMS) [2].
- Mais de 70 robôs assistentes de separação em piloto no centro de distribuição de Jandira (SP), que fazem o deslocamento horizontal dos pallets até os pontos de abastecimento do picking [2].
- Ferramentas de inteligência artificial aplicadas ao planejamento operacional, embora a empresa ainda não opere com sistemas multiagentes [1,2].
O que os números da Neotrust confirmam sobre o tamanho do pico?
Os dados operacionais da DHL batem com a projeção de mercado: a Neotrust, por meio da Confi, em parceria com o E-Commerce Brasil, projeta que a Black Friday 2026 deve movimentar R$ 13,3 bilhões no e-commerce brasileiro entre os dias 26 e 29 de novembro, alta de 20,7% sobre os R$ 11,03 bilhões do mesmo período de 2025 [3].
O levantamento estima a venda de 69,4 milhões de produtos nos quatro dias, crescimento de 15,4% ante o ano passado [3].
O padrão de mais pedidos com ticket médio menor, que já aparece nos planos logísticos da DHL, também se confirma nos números do varejo: de janeiro a setembro de 2026, o e-commerce brasileiro faturou R$ 322,6 bilhões, alta de 16,9%, enquanto o número de pedidos cresceu num ritmo bem mais acelerado, de 34,9%, para 1,2 bilhão [4].
Nem todas as categorias crescem no mesmo ritmo. Eletrodomésticos devem liderar o faturamento da Black Friday 2026, puxados por consumidores que reservam para a data as compras de ticket mais alto:
| Categoria | Faturamento previsto (4 dias) | Crescimento vs. 2025 |
|---|---|---|
| Eletrodomésticos | R$ 2,12 bilhões [4] | +44,5% [4] |
| Moda e acessórios | R$ 1,38 bilhão [4] | +44,2% [4] |
| Beleza e perfumaria | R$ 910 milhões [3] | +69,8% [3] |
O que isso significa para quem opera e-commerce no Brasil
Para times de comércio e logística, o recado prático é que o planejamento de capacidade precisa tratar novembro inteiro como pico, não apenas a sexta-feira da Black Friday. A combinação de mais pedidos, ticket menor e promoções espalhadas por Black Week, 11/11 e Cyber Week muda a curva de demanda que estoque, checkout e transportadoras precisam suportar [1,3].
A experiência da DHL também sugere que investimento em automação e expansão de rede de fulfillment andam junto com contratação, não no lugar dela, numa temporada em que a confiança do consumidor na entrega pontual pesa tanto quanto o preço na decisão de compra [1,2].
Fontes
- [1]InfoMoney, DHL projeta Black Friday 27% maior e vê e-commerce avançar 14% em 2026 — infomoney.com.br
- [2]Consumidor Moderno, Como a DHL Supply Chain se prepara para movimentar 37 milhões de itens na Peak Season — consumidormoderno.com.br
- [3]E-Commerce Brasil, E-commerce deve faturar 20,7% a mais na Black Friday 2026, projeta Neotrust — ecommercebrasil.com.br
- [4]Exame, Black Friday deve movimentar R$ 13,3 bilhões, mas crise no varejo desafia vendas — exame.com



