Itaú paga R$ 2,92 bilhões pela NeoSpace e aposta em IA generativa própria
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Itaú paga R$ 2,92 bilhões pela NeoSpace e aposta em IA generativa própria

Itaú paga R$ 2,92 bilhões pela NeoSpace para internalizar IA generativa e alimentar o i.ai, sua plataforma bancária conversacional.

Por VTEX27 de out. de 20264 min de leitura
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Itaú paga R$ 2,92 bilhões para trazer a IA generativa para dentro de casa

O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira, 26 de outubro, um acordo para adquirir 100% das ações da NeoSpace A.I. Technologies por R$ 2,92 bilhões, encerrando a fase de parceria com a startup brasileira de inteligência artificial generativa e modelos fundacionais de dados [1][4]. O pagamento será feito em etapas: uma parcela no fechamento da operação e o restante distribuído ao longo de cinco anos, conforme condições previstas em contrato [5].

A operação ainda não está concluída. Ela depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central, além de outras exigências regulatórias usuais no setor financeiro [4][5].

Para dimensionar o tamanho da aposta, o Itaú está avaliado em R$ 532 bilhões. A compra representa uma fatia pequena do valor de mercado do banco, mas um cheque considerável para uma startup fundada há menos de três anos [3].

Da Zup à NeoSpace: o Itaú repete a aposta nos mesmos fundadores

O Itaú já havia comprado uma empresa dos mesmos empreendedores antes: a Zup, adquirida em um acordo assinado em outubro de 2019 e concluído em março de 2020, por mais de R$ 500 milhões [7]. Bruno Pierobon, Felipe Almeida e Gustavo Debs, que fundaram a Zup, venderam a empresa de software e, no fim de 2023, criaram a NeoSpace ao lado de um quarto sócio, Thiago Teixeira [1].

O roteiro se repetiu: o quarteto voltou a vender para o mesmo comprador. A NeoSpace já era parceira do banco desde janeiro de 2025, quando o Itaú liderou uma rodada de US$ 18 milhões que avaliou a empresa em US$ 100 milhões [1].

A rodada contou também com participação de Martin Escobari (General Atlantic) e Micky Malka (Ribbit Capital). O investimento inicial do Itaú foi de US$ 15 milhões, por 15% da startup [4][6].

AquisiçãoAno do acordoValorFundadores envolvidosFoco da empresa
Zup2019 (acordo) / 2020 (conclusão)mais de R$ 500 milhões [7]Pierobon, Almeida, DebsSoftware e integração de sistemas legados
NeoSpace2026R$ 2,92 bilhões [1][4]Pierobon, Almeida, Debs, TeixeiraIA generativa e modelos fundacionais de dados

O que é um Large Data Model e por que o Itaú quer controlá-lo

A NeoSpace não vende um modelo de linguagem fechado, mas desenvolve o conceito de Large Data Model (LDM), voltado a identificar padrões e relações complexas em grandes volumes de dados de diferentes formatos, não apenas texto [3][4]. Essa diferença técnica em relação a um LLM tradicional é o que o Itaú diz querer combinar com sua própria base de dados e conhecimento do setor financeiro [5].

A startup, fundada em Uberlândia, já tem clientes em setores como telecomunicações e aviação, e vinha expandindo operações para os Estados Unidos e a Europa antes da aquisição [3]. Comprá-la por inteiro dá ao Itaú acesso exclusivo a essa tecnologia e aos times que a construíram, em vez de depender de contratos de licenciamento com fornecedores externos de IA [5].

Apesar de passar ao controle do Itaú, a NeoSpace seguirá operando de forma independente: Bruno Pierobon permanece como diretor-presidente, a equipe é mantida e as atividades de pesquisa e desenvolvimento continuam [1][6]. O acordo repete a estrutura usada na compra da Zup, em que a empresa adquirida manteve gestão própria por um período antes da integração plena [7].

O que muda para quem usa o banco

A tecnologia da NeoSpace já vinha sendo testada em iniciativas conjuntas com o Itaú e deve alimentar diretamente o i.ai, a plataforma de IA generativa do banco lançada em julho de 2026 [1][2].

“Queremos que o Itaú esteja entre as instituições que vão definir o próximo capítulo da indústria financeira global. O Brasil já demonstrou sua capacidade de estabelecer referências internacionais em inovação bancária, e temos a oportunidade de elevar esse patamar com inteligência artificial de fronteira. A aquisição da NeoSpace é um investimento estratégico nessa ambição.”
Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco [6]

A plataforma permite interações em linguagem natural por texto ou voz e já soma 3 milhões de usuários. O banco cita quatro frentes de aplicação: crédito, gestão financeira, atendimento ao cliente e prevenção a fraudes [6][4].

Entre as possibilidades mencionadas pelo Itaú estão interações mais contextualizadas, ofertas de crédito ajustadas ao perfil de cada pessoa e novas formas de apoiar o planejamento financeiro de pessoas e empresas [6]. O banco afirma que essas aplicações vão observar princípios de segurança, privacidade e uso responsável de dados [6].

Por que essa aquisição importa para quem vende e cobra online no Brasil?

Ela importa porque crédito e prevenção a fraudes, as duas aplicações citadas pelo Itaú, sustentam diretamente o parcelamento, o limite de crédito e a aprovação de transações que o comércio eletrônico brasileiro usa no dia a dia do checkout [6][4]. Um banco com modelos próprios de IA generativa treinados em dados financeiros tende a decidir crédito e sinalizar fraude com mais velocidade e granularidade.

O movimento faz parte de uma tendência mais ampla do Itaú: tratar IA generativa como infraestrutura central do banco, não como um recurso isolado [4].

Para varejistas e marketplaces que dependem do Itaú como adquirente, emissor de cartões ou parceiro de crédito, a tendência é sentir essa mudança primeiro em menor atrito de aprovação e em ofertas de crédito mais personalizadas, não em um produto novo anunciado diretamente ao mercado.

O desenho financeiro lembra o da Zup, mas a escala é outra

O pagamento em etapas é semelhante ao usado na compra da Zup, que também foi paga em parcelas ao longo de quatro anos e condicionada a aprovações regulatórias [7][5]. A diferença de escala entre as duas operações mostra o quanto a IA generativa subiu de prioridade orçamentária dentro do maior banco privado do país em menos de uma década [7][3].

Fontes

  1. [1]IT Forum, Itaú adquire NeoSpace por R$ 2,92 bilhões e avança em IA generativa — itforum.com.br
  2. [2]NeoFeed, Milton Maluhy Filho explica por que o Itaú desembolsou R$ 2,92 bilhões pela NeoSpace — neofeed.com.br
  3. [3]NeoFeed, Itaú compra NeoSpace por R$ 2,9 bilhões e avança na inteligência artificial — neofeed.com.br
  4. [4]Exame, Itaú compra startup brasileira de inteligência artificial por R$ 2,9 bilhões — exame.com
  5. [5]Tecnoblog, Itaú compra startup de IA por R$ 2,9 bilhões — tecnoblog.net
  6. [6]Finsiders Brasil, Itaú compra startup de IA NeoSpace por R$ 2,9 bilhões — finsidersbrasil.com.br
  7. [7]SEC.gov, Itau Unibanco Holding S.A. - Form 6-K — sec.gov