Abandono de checkout: onde o e-commerce brasileiro está perdendo a venda
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Abandono de checkout: onde o e-commerce brasileiro está perdendo a venda

Dados mostram que 44% das tentativas de compra somem após gerar Pix ou boleto. Veja onde o abandono de checkout corrói a conversão no Brasil.

Por VTEX3 de out. de 20265 min de leitura
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Por que o abandono de checkout cresce mesmo depois do Pix gerado?

O abandono de checkout cresce mesmo depois de o consumidor já ter gerado o pagamento. Um levantamento citado pelo E-Commerce Brasil mostra que 44,44% das tentativas de compra não são concluídas mesmo após a emissão de Pix ou boleto, ou seja, consumidores que já tinham escolhido o produto e avançado até o pagamento [1].

Isso muda a forma de olhar para a conversão. Existe uma distância importante entre demonstrar intenção e efetivamente realizar a conversão, e entender o que acontece nesse intervalo pode ser tão importante quanto atrair o consumidor até o checkout [1].

O artigo original, assinado por José Junior, cofundador e CPTO da Awsales, argumenta que a decisão de compra não é linear: o consumidor pode gerar um Pix e, segundos depois, comparar o preço em outro site ou simplesmente ser interrompido e não voltar.

Um estudo da Visa Conecta reforça esse diagnóstico com outro corte de dados. Segundo a pesquisa, 58% dos consumidores que já desistiram de uma compra online abandonaram o carrinho no momento do pagamento, e desse total, 37% interromperam a jornada ao escolher o meio de pagamento e 21% durante a inserção ou confirmação de dados [2].

O dado aponta para uma mudança de status do checkout: deixou de ser uma etapa operacional e passou a ser estratégico para a conversão [2].

Por que o checkout ficou mais frágil no celular?

O checkout brasileiro é majoritariamente mobile, e é nesse ambiente que a fricção dói mais. Hoje, 79% das transações online são feitas via dispositivos móveis, enquanto desktops e notebooks respondem por 12%, segundo a Visa Conecta [2]. Jornadas que exigem múltiplas etapas ou redirecionamentos tendem a pesar mais nesse formato.

Um dos pontos de maior atrito identificados é justamente a necessidade de alternar entre aplicativos. A necessidade de sair do ambiente da loja para concluir o pagamento via aplicativo bancário, especialmente nas compras feitas pelo celular, fragmenta a experiência e aumenta o risco de abandono [2].

O consumidor já sinaliza o que resolveria isso: 87% consideram atraente a possibilidade de concluir um pagamento via Pix em poucos segundos, sem múltiplas etapas, e 70% afirmam que aceitariam vincular seus dados bancários à loja para tornar compras futuras mais ágeis [2].

Também vale notar onde a venda acontece. Os marketplaces concentram 71% das transações, seguidos pelos sites próprios das lojas, com 20%, e redes sociais ou links diretos, com 8% [2]. Isso significa que grande parte do checkout que o lojista precisa otimizar nem sempre está sob seu controle direto.

Etapa ou causa do abandonoO que os dados mostramFonte
Escolha do meio de pagamento37% dos abandonos no checkoutVisa Conecta [2]
Inserção ou confirmação de dados21% dos abandonos no checkoutVisa Conecta [2]
Pix ou boleto gerado e não pago44,44% das tentativas de compraE-Commerce Brasil [1]
Frete sem inteligência de dadosMais de 70% das desistências de carrinhonstech [3]

O frete ainda decide a venda antes do consumidor nem fechar o pedido?

Sim, e o problema não é mais só o valor do frete, é a falta de dados integrados para calculá-lo e cumpri-lo. Um relatório da nstech, construído a partir do Fórum E-Commerce Brasil 2026, mostra que frete sem inteligência de dados está por trás de mais de 70% das desistências de carrinho no e-commerce, enquanto sistemas desconectados podem gerar devoluções equivalentes a 15% do faturamento bruto [3].

“Uma operação omnichannel bem executada aumenta o valor do cliente ao longo do tempo sem canibalizar a loja física. O receio histórico do setor não se confirma quando a integração é de fato ponta a ponta.”
Helena Costa, diretora de Varejo da nstech [3]

A raiz do problema é a fragmentação tecnológica. O levantamento aponta que um embarcador médio pode lidar hoje com até 54 soluções diferentes de supply chain para fazer um pedido chegar ao consumidor, e o desafio não é a quantidade de ferramentas, mas a dificuldade de fazê-las compartilhar informação coordenada [3].

Vasco Oliveira, CEO da nstech, resume o impacto financeiro direto: "Não é abstração de slide, é faturamento perdido todo mês" [3].

O mesmo relatório chama atenção para o avanço do consumidor agêntico, em que assistentes de IA pesquisam e comparam ofertas em nome do usuário. Segundo o material, essas decisões podem ocorrer entre 30 e 150 milissegundos, enquanto a interação de um consumidor humano leva de três a cinco segundos [3].

Na prática, preço, frete e prazo precisam estar corretos e disponíveis em tempo real antes mesmo de uma oferta chegar à tela, humana ou automatizada.

Conversar com o cliente antes do pagamento realmente evita o abandono?

Os dados sugerem que sim, mas não de forma indiscriminada. O ganho aparece quando a conversa chega no momento certo da hesitação, não como abordagem genérica para qualquer visitante.

“Intenção não é conversão. E compreender melhor o que acontece entre uma e outra pode ser tão importante quanto levar o consumidor até a última etapa da compra.”
José Junior, cofundador e CPTO da Awsales [1]

Segundo o artigo do E-Commerce Brasil, consumidores que conversam com a empresa antes da compra podem apresentar até 5,7 vezes mais chance de conversão [1]. O argumento central é que dois consumidores podem aparecer no mesmo relatório como "abandono de checkout" e estar vivendo situações completamente diferentes: um desistiu por preço, outro por insegurança sobre prazo ou tamanho, um terceiro só estava comparando ofertas.

Por isso, abordar qualquer pessoa que entra na loja tende a gerar mais incômodo do que valor. O desafio está em reconhecer quando a interação pode ser relevante, identificando sinais de que determinado consumidor está hesitando, buscando informação ou próximo de tomar uma decisão [1].

O que os times de e-commerce podem fazer com esses dados?

Os três levantamentos, somados, desenham um mapa prático de onde agir primeiro. Nenhum deles aponta uma solução única, mas juntos sugerem uma ordem de prioridade para quem quer recuperar conversão sem aumentar investimento em mídia.

  • Tratar o checkout como etapa estratégica, não operacional: medir separadamente abandono na escolha do meio de pagamento e na confirmação de dados, já que juntos respondem por 58% das desistências [2].
  • Reduzir a necessidade de sair do app da loja para pagar, dado que 87% dos consumidores acham atraente concluir o Pix sem múltiplas etapas [2].
  • Monitorar Pix e boletos gerados e não pagos como uma métrica própria, não apenas como "abandono de carrinho" genérico, já que essa falha isolada chega a 44,44% das tentativas [1].
  • Investir em dados de frete em tempo real antes da Black Friday, já que a falta de inteligência logística está ligada a mais de 70% das desistências [3].
  • Usar conversas direcionadas por sinais de hesitação, não disparos em massa, para captar parte do ganho de até 5,7 vezes na conversão [1].

Fontes

  1. [1]E-Commerce Brasil, O consumidor chegou ao checkout, mas não comprou. Onde o e-commerce está perdendo a conversão? — ecommercebrasil.com.br
  2. [2]Consumidor Moderno, Checkout ainda é gargalo no e-commerce brasileiro — consumidormoderno.com.br
  3. [3]Mercado&Consumo, Frete sem inteligência de dados causa mais de 70% das desistências de carrinho — mercadoeconsumo.com.br