Comércio agêntico: próximo cliente do e-commerce pode ser um agente de IA, diz VP da Cielo
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Comércio agêntico: próximo cliente do e-commerce pode ser um agente de IA, diz VP da Cielo

VP da Cielo projeta até US$ 1 trilhão em comércio agêntico até 2030 e diz que o checkout tradicional tende a deixar de existir.

Por VTEX7 de out. de 20264 min de leitura
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O que a Cielo projeta para o comércio por agentes de IA

Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, afirmou que a inteligência artificial está deixando de apenas orientar o consumidor para passar a comprar em nome dele. No Summit Pagamentos 2026, ele apresentou a aposta da companhia no comércio agêntico: até US$ 1 trilhão do comércio global poderá ser orquestrado por decisões de IA até 2030 [1].

“O seu próximo cliente pode não ser uma pessoa, pode ser um agente dela.”
Carlos Alves, VP de Tecnologia e Negócios da Cielo [1]

Para o executivo, o comportamento do consumidor segue um padrão cíclico já visto antes, da mesma forma que aconteceu com a migração para as compras online e, depois, para os pagamentos digitais. No caso da IA, a sequência começa pela conversa, favorecida pelo hábito brasileiro com o WhatsApp, passa pela comparação de produtos, função que antes pertencia aos buscadores, segue para o agendamento de tarefas e termina na autonomia plena.

O checkout vai desaparecer?

O checkout como existe hoje, com tela, formulário e clique final, tende a deixar de ser necessário à medida que o pagamento vira uma etapa invisível dentro da conversa com o agente de IA. Alves descreveu essa transição como estrutural, não cosmética: "o famoso checkout que a gente conhece tem uma grande tendência a deixar de ser necessário da maneira como ele é" [1].

O argumento nasce de um problema concreto de conversão. Segundo a Cielo, mesmo depois de atrair o cliente e conduzi-lo por toda a navegação, o lojista ainda perde vendas na hora de pagar: "chega no ponto de compra, aperta o botão comprar e, pasmem, 18% ainda fica no meio do caminho" [1].

Parte dessa perda vem de limites insuficientes, parte de divergência de dados e parte de bloqueios por suspeita de fraude. Cada pagamento passa por ao menos três empresas, adquirente, bandeira e banco emissor, e cada uma aplica critérios antifraude próprios, o que multiplica o atrito exatamente no momento em que a venda já estava praticamente fechada.

Pix como base para o comércio agêntico

O Pix funciona como a infraestrutura que torna viável um agente de IA fechar uma compra sozinho no Brasil, porque criou um padrão único, simples e amplamente adotado. Desde 2020, evoluiu do QR Code fixo para o dinâmico, ganhou pagamento por aproximação, Pix Automático, modalidades programadas e parceladas, e tokenização, com limites que crescem conforme a segurança avança [1].

Para Alves, essa trajetória é o que torna o Pix candidato natural a sustentar a próxima fase, batizada de compras agênticas. "Ele conseguiu criar, a partir de regulação compulsória, um padrão, conseguiu ser simples o suficiente para ter adoção e resolve um grande problema", disse o executivo, acrescentando que "o Pix faz parte da forma de pagamento da nossa cultura e bancarização" [1].

No modelo que ele descreveu, o agente recebe o consentimento do consumidor e usa um token, código único e rastreável que identifica a pessoa e o meio de pagamento, seja cartão ou Pix, para concluir a compra dentro da própria conversa. A autorização fica registrada em um mandate ID, que garante a rastreabilidade da permissão [1].

Quem já está testando esse modelo no Brasil

O Brasil já tem pilotos reais de compras feitas por agentes de IA, embora nenhum ainda opere em escala comercial. Em março de 2026, Banco do Brasil e Visa realizaram a primeira transação agêntica do país. O processo utilizou a plataforma Visa Intelligent Commerce (VIC), que permitiu ao agente de IA realizar o pagamento de forma autônoma, respeitando parâmetros pré-definidos pelo cliente [3].

A Mastercard seguiu caminho parecido com o Agent Pay, já testado com Itaú e Santander no circuito de emissores brasileiros. Em paralelo, a bandeira lançou o Agent Pay na América Latina e Caribe a partir de 2026, em um movimento que coloca a região na disputa global por um mercado que pode movimentar o equivalente a até 20% das operações de comércio eletrônico ainda este ano [4].

IniciativaEmpresas envolvidasStatus no Brasil
Visa Intelligent CommerceVisa e Banco do BrasilPrimeira transação concluída em ambiente controlado, março de 2026 [3]
Mastercard Agent PayMastercard, Itaú e SantanderTransações reais testadas, emissores da região habilitados até fevereiro de 2026 [4]
Pix Automático e tokenizaçãoBanco Central e bancosBase regulatória já em operação, usada como trilho para compras agênticas [1]

O que falta resolver antes da escala

A principal barreira para o comércio agêntico sair do piloto para a escala no Brasil é regulatória, não tecnológica. O país ainda não tem um regime jurídico específico para definir quem responde por erro ou fraude quando quem decide a compra é um software, e não uma pessoa [2].

Mesmo assim, o investimento já está em marcha. Levantamento recente da Federação Brasileira de Bancos mostra que os bancos devem investir R$ 50 bilhões neste ano, e tanto Visa quanto Mastercard seguem ampliando seus programas no país [2].

Para Alves, a saída passa por cooperação entre os participantes do sistema de pagamentos na identificação de comportamentos maliciosos, já que hoje cada elo da cadeia aplica seu próprio critério antifraude de forma isolada [1].

O horizonte que a Cielo projeta para 2030 vai além da compra pontual: são as chamadas compras programadas, em que o consumidor define prazo, faixa de preço e tipo de produto, e o agente conclui a transação sozinho quando essas condições forem atendidas [1]. Antes disso virar rotina, o mercado brasileiro de pagamentos precisa decidir quem garante a conta quando a decisão de comprar deixar de ser humana.

Fontes

  1. [1]E-Commerce Brasil, Próximo cliente do e-commerce pode ser um agente de IA, diz VP da Cielo — ecommercebrasil.com.br
  2. [2]Finsiders Brasil, IA começa a fazer pagamentos, mas falta definir até onde vai sua autonomia — finsidersbrasil.com.br
  3. [3]CNN Brasil, Visa e Banco do Brasil fazem primeira transação com agente IA do país — cnnbrasil.com.br
  4. [4]Bloomberg Línea, Pagamento com agentes de IA: Mastercard terá serviço no Brasil no começo de 2026 — bloomberglinea.com.br