Frete grátis já concentra 89,4% do faturamento do e-commerce D2C no Brasil
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Frete grátis já concentra 89,4% do faturamento do e-commerce D2C no Brasil

Lojas com frete grátis concentram 89,4% do faturamento no e-commerce D2C e faturam 5,65 vezes mais, aponta Nuvemshop.

Por VTEX12 de out. de 20265 min de leitura
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Como o frete grátis no e-commerce já decide quase nove em cada dez reais do D2C

Lojas que oferecem frete grátis concentraram 89,4% de todo o faturamento do comércio direto ao consumidor no Brasil em setembro. O dado é do Radar do E-commerce D2C, levantamento mensal da Nuvemshop.

O estudo mostra que o benefício deixou de ser promoção pontual para virar pré-requisito de faturamento. As lojas que oferecem frete grátis concentraram 89,4% do faturamento do modelo direto ao consumidor, o D2C [1].

O benefício ainda não está em todos os pedidos, mas já é decisivo onde está presente. O benefício está presente em 31,05% dos pedidos [1]. Ou seja: menos de um terço dos pedidos carrega frete grátis, mas esses pedidos puxam quase nove décimos da receita do canal.

Os números do estudo resumem a assimetria:

Para o presidente e cofundador da Nuvemshop, Alejandro Vázquez, o movimento marca uma virada estrutural na forma como o varejo digital compete. "A logística integrada deixou de ser um diferencial e tornou-se a espinha dorsal do varejo moderno", destaca Vázquez [1].

  • Faturamento concentrado em lojas com frete grátis: 89,4% [1]
  • Pedidos com frete grátis: 31,05% [1]
  • Faturamento a mais de quem oferece frete grátis: 5,65 vezes [1]
  • Adesão entre lojas com mais de R$ 100 mil/mês: 94% [1]

O que explica a concentração em torno do frete grátis?

A resposta direta é o comportamento do consumidor: dado o custo do frete, ele escolhe onde comprar, e não apenas o que comprar, e isso empurra receita para quem absorve esse custo. Uma pesquisa recente de intenção de compra para a Black Friday, conduzida pela LWSA em parceria com a Opinion Box, detalha essa lógica de decisão.

Segundo o levantamento, 55% dos consumidores sempre buscam frete grátis, mesmo que o prazo de entrega seja maior. Quando a escolha está disponível, 50% preferem esperar para não pagar pelo envio, enquanto 19% estão dispostos a pagar mais para receber rápido [3].

O custo do frete também é o principal gatilho de abandono de compra na data mais importante do varejo digital:

Para Renato Junoy, diretor-geral executivo do Melhor Envio, plataforma de tecnologia para logística da LWSA, a previsibilidade pesa tanto quanto o custo na decisão do consumidor. "O consumidor aceita esperar quando isso representa uma economia e o prazo está claro desde o início", afirma [3].

  • Frete caro é citado por 36% como motivo de desistência [3]
  • Prazo de entrega longo é citado por 24% [3]
  • A entrega padrão, de menor custo, é a opção mais citada, com 49% das respostas [3]

Prazo de entrega vira a próxima fronteira competitiva

Com o frete grátis virando padrão de mercado, a vantagem competitiva está migrando para quem entrega mais rápido sem cobrar por isso. O próprio Radar do E-commerce D2C já capta esse deslocamento: com o frete grátis perdendo força como diferencial, o prazo de entrega ganha importância na concorrência [1].

Esse movimento aparece com clareza na forma como marketplaces de grande volume vêm reestruturando a própria malha logística. Para reduzir a dependência de operadores tradicionais, as plataformas de e-commerce investem em logística própria [1].

A Shopee é um exemplo direto dessa corrida por velocidade. A companhia ampliou significativamente sua rede física no país em 2026: só em 2026, o número de centros de distribuição passou de 16 para 26, crescimento superior a 60% [2].

O efeito já aparece no prazo médio de entrega: no primeiro trimestre deste ano, o tempo médio de entrega caiu mais de um dia em relação ao mesmo período de 2025, segundo a companhia [2].

Parte desse ganho de velocidade vem de um modelo de fulfillment que elimina etapas entre a compra e o despacho. Segundo a Shopee, pedidos enviados pelo Full podem chegar ao consumidor até três vezes mais rápido do que nos modelos convencionais. O número de pedidos processados pela modalidade cresceu 15 vezes no período de um ano [2].

IndicadorDadoFonte
Faturamento concentrado em lojas com frete grátis (D2C)89,4%Nuvemshop [1]
Pedidos D2C com frete grátis31,05%Nuvemshop [1]
Faturamento a mais de quem oferece frete grátis5,65 vezesNuvemshop [1]
Adesão ao frete grátis acima de R$ 100 mil/mês94%Nuvemshop [1]
Consumidores que preferem esperar a pagar frete55%LWSA/Opinion Box [3]
Crescimento de centros de distribuição da Shopee em 2026+60%Shopee [2]

O interior também está entrando no mapa do D2C

A concentração de faturamento em torno do frete grátis não é o único deslocamento revelado pelo levantamento. O volume de pedidos também está migrando para fora dos grandes centros consumidores tradicionais, puxado por estados do Sul. O levantamento também aponta crescimento das vendas em estados fora dos principais centros de consumo [1].

Santa Catarina lidera esse avanço com folga. O estado registrou 270.618 pedidos em setembro, alta de 78,3% na comparação anual. Com isso, a participação da região Sul nos pedidos D2C do país passou de 15,30% para 17,53% [1].

Esse crescimento em volume, porém, veio acompanhado de ticket médio mais baixo, sinal de que o novo consumidor entrando no D2C ainda compra menos por pedido. Em Santa Catarina, o ticket médio foi de R$ 266,13, abaixo da média nacional, de R$ 282,12 [1].

O omnichannel também segue avançando dentro desse recorte D2C, reforçando que lojas físicas continuam funcionando como ponto de apoio logístico para o digital. Em setembro, o crescimento do omnichannel chegou a 31,5%, segundo o estudo [1]. Mas o próprio estudo reconhece que esse modelo ainda tem gargalo a resolver: ampliar a eficiência exige superar gargalos operacionais e investir em inteligência de distribuição [1].

Por que isso importa para quem opera e-commerce no Brasil agora

A pressão para subsidiar frete chega num momento em que o mercado como um todo segue em expansão acelerada, o que amplia o volume de pedidos disputando a mesma capacidade logística.

O comércio eletrônico brasileiro faturou R$ 125 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce, uma alta de 24,37% em relação aos R$ 100,5 bilhões registrados no mesmo período de 2025 [4].

A entidade projeta que esse ritmo se mantenha no segundo semestre, o que significa mais volume disputando a mesma capacidade de entrega barata e rápida. A expectativa é encerrar 2026 com 460,87 milhões de pedidos e faturamento acima de R$ 260 bilhões [4].

Para quem vende direto ao consumidor, a combinação dos estudos deixa um recado difícil de ignorar:

Nenhum desses pontos substitui o cálculo de margem que cada operação precisa fazer antes de zerar o frete. Mas, com quase 9 em cada 10 reais do D2C concentrados em quem já oferece o benefício, adiar essa decisão tem um custo direto e mensurável em participação de faturamento.

  1. 1Subsidiar o frete não é mais uma tática de campanha isolada: é condição de entrada para competir por faturamento relevante no D2C, já que lojas sem o benefício ficam restritas a uma fatia pequena da receita do canal.
  2. 2O ponto de equilíbrio do frete grátis precisa ser calculado por categoria e por ticket médio, porque regiões em expansão como o interior do Sul vêm com ticket menor, o que reduz a margem disponível para absorver o custo de envio.
  3. 3Rapidez de entrega está se tornando o próximo campo de disputa, à medida que operadores com fulfillment próprio reduzem prazo sem repassar custo ao comprador.

Fontes

  1. [1]Mercado&Consumo, Lojas com frete grátis concentram 89,4% do faturamento no e-commerce D2C — mercadoeconsumo.com.br
  2. [2]Mercado&Consumo, Shopee reduz prazo médio de entrega no Brasil com expansão de modalidades logísticas — mercadoeconsumo.com.br
  3. [3]Mercado&Consumo, Frete grátis pesa mais que rapidez para consumidor na Black Friday — mercadoeconsumo.com.br
  4. [4]Mercado&Consumo, E-commerce brasileiro movimenta R$ 125 bilhões e cresce 24,37% no 1º semestre — mercadoeconsumo.com.br