Itaú lança solução para receber pagamentos dentro de conversas com IA
O Itaú Unibanco lançou uma solução de comércio agêntico que permite às empresas receber pagamentos integrados a experiências conversacionais com agentes de inteligência artificial. O processamento e a segurança das transações permanecem na infraestrutura do próprio banco [1]. A tecnologia foi desenvolvida por meio da Rede e conecta diferentes plataformas de IA à infraestrutura de e-commerce e pagamentos do banco, criando uma camada única de integração para as empresas [1].
Com a novidade, o Itaú amplia sua infraestrutura de pagamentos para jornadas de compra mediadas por inteligência artificial, preparando clientes para novas formas de interação e consumo que começam a surgir no comércio digital [1]. Hoje, agentes de IA já são usados para pesquisar informações, recomendar produtos, comparar alternativas e montar carrinho, mas a execução e a formalização da compra ainda são incomuns [1]. É exatamente essa lacuna, entre recomendar e efetivamente cobrar, que o banco diz atacar.
Como funciona o gateway de pagamentos a agentes de IA da Rede
O gateway funciona como um adaptador entre os protocolos usados pelos agentes de IA e as APIs de pagamento da Rede, traduzindo as informações recebidas de diferentes fontes para a infraestrutura do banco [1]. Na prática, isso permite que uma empresa se conecte a novos ambientes de IA sem precisar construir uma integração de pagamento específica para cada agente ou protocolo que surgir [1].
“Os agentes de IA começam a mudar a forma como as pessoas descobrem produtos e fazem compras no ambiente digital. Estamos construindo essa ponte para que nossos clientes possam oferecer pagamentos integrados a esses novos ambientes sem adicionar complexidade à operação.”
A solução, por enquanto, permite pagamentos com cartão de crédito. Sua arquitetura foi desenhada para incorporar outros meios de pagamento conforme o ecossistema de comércio agêntico evoluir [1]. Segundo o Itaú, o projeto nasceu do encontro entre uma iniciativa da Rede voltada a pagamentos agênticos e a própria frente de inteligência artificial do banco [1].
Bancos brasileiros já apostavam em pagamentos agênticos
O movimento do Itaú não parte do zero. Em março de 2026, o banco já figurava entre as instituições que, segundo a Mastercard, executaram transações de pagamento agêntico ao vivo e de ponta a ponta na América Latina e no Caribe, ao lado de Santander, Bancolombia, Dock e outras processadoras da região [2]. Naquele anúncio, os participantes concluíram compras de itens como maquiagem, acessórios de beleza e produtos de supermercado com cartão de débito e crédito, com autorização de ponta a ponta entre emissores, comerciantes e a rede Mastercard [2].
A diferença do lançamento atual é o escopo. Enquanto a operação com a Mastercard testou a liquidação de pagamentos iniciados por agentes dentro da rede da bandeira, o novo gateway do Itaú é uma camada própria do banco. Ele foi pensado para que qualquer empresa cliente da Rede conecte múltiplas plataformas de IA sem depender de uma integração por bandeira ou por agente [1].
Quanto vale o comércio agêntico até 2030?
As projeções de consultorias globais ajudam a explicar por que bancos como o Itaú estão investindo agora. A McKinsey estima que o comércio agêntico, no qual agentes de IA pesquisam, negociam e transacionam em nome de humanos, pode gerar até US$ 1 trilhão em receita de varejo orquestrada nos Estados Unidos até 2030 [3].
Globalmente, a McKinsey projeta entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões em comércio intermediado por agentes até 2030 [3]. Já a Accenture projeta que mais de 30% do comércio on-line global poderá passar por agentes de IA em 2030, o equivalente a cerca de US$ 3,1 trilhões em transações [4]. A Bain, com um recorte mais conservador focado só no mercado americano, calcula um intervalo de US$ 300 bilhões a US$ 500 bilhões até 2030, entre 15% e 25% do e-commerce dos Estados Unidos [5].
Os números variam bastante entre si porque cada consultoria define "comércio agêntico" de forma diferente, mas a direção é a mesma: uma fatia relevante das compras on-line deve passar, em algum grau, pela intermediação de um agente de IA até o fim da década.
| Fonte | Escopo | Projeção para 2030 |
|---|---|---|
| McKinsey [3] | Global | US$ 3 tri a US$ 5 tri em comércio |
| Accenture [4] | Global | Mais de 30% do comércio on-line, ~US$ 3,1 tri |
| Bain [5] | Estados Unidos | US$ 300 bi a US$ 500 bi, 15% a 25% do e-commerce |
O que muda para quem vende online
Para uma empresa que vende pela internet, o lançamento do Itaú resolve um problema prático antes de ele virar urgente: como cobrar quando o cliente não passa pelo checkout tradicional do site. Sem uma camada como o gateway multiprotocolo, cada nova plataforma de IA que ganhasse tração exigiria uma integração de pagamento sob medida [1].
A evolução dessas jornadas cria para as empresas o desafio de estar presentes em diferentes ambientes conversacionais sem multiplicar a complexidade das integrações de pagamento [1]. Para quem vende, isso significa estar presente onde a compra passa a acontecer, com potencial de ganhar conversão à medida que o comprador delega mais etapas da decisão a um agente [1].
Fontes
- [1]TI Inside, Solução do Itaú integra pagamentos a agentes de IA no e-commerce — tiinside.com.br
- [2]Mastercard Newsroom, Mastercard Impulsiona Pagamentos Agênticos com transações em tempo real no Brasil e em toda região da América Latina e Caribe — mastercard.com
- [3]McKinsey & Company, The automation curve in agentic commerce — mckinsey.com
- [4]Accenture, Agentic Commerce and the Future of Payments — accenture.com
- [5]Bain & Company, 2030 Forecast: How Agentic AI Will Reshape US Retail — bain.com



