O que é a IA commerce "Compre com o Ninja"?
O "Compre com o Ninja" é o canal de IA commerce que a KaBuM! lançou dentro do WhatsApp, batizado em referência ao personagem oficial da marca. Na prática, funciona como um multiagente integrado nativamente à API do WhatsApp da Meta e aos sistemas do e-commerce, capaz de conduzir o cliente da indicação de produto até o fechamento do pedido [1].
A ferramenta foi desenvolvida internamente pela equipe de dados da KaBuM! e conecta a inteligência artificial diretamente às necessidades do e-commerce, com o objetivo declarado de aumentar a eficiência das vendas e otimizar a experiência do cliente [1].
O diferencial está na ausência de menus fixos: a interação é conversacional, sem roteiros pré-determinados, e o sistema funciona de forma multimodal, interpretando voz, texto e imagem em uma mesma conversa [1].
Por que a KaBuM! começou pelo público B2B?
A KaBuM! escolheu o público corporativo como porta de entrada porque essa base histórica recorre mais aos canais de atendimento da empresa do que o consumidor final. Validar a IA onde a demanda por suporte já é mais intensa reduz o risco de uma primeira experiência ruim em um canal que a companhia planeja abrir para toda a sua base de clientes [1].
Segundo Vítor Teixeira, diretor de planejamento estratégico, dados e IA da varejista, o lançamento fortalece a atuação já existente da empresa no segmento B2B antes de qualquer movimento em direção ao consumidor final [1]. A sequência não é acidental: a KaBuM! vem de dois anos estruturando uma unidade dedicada a empresas, criada justamente para atender uma demanda crescente de CNPJs que já compravam na plataforma [2].
Como funciona a experiência multimodal na prática?
O sistema analisa fotos, áudios e mensagens de texto para recomendar produtos com base no contexto real enviado pelo cliente, sem exigir que ele descreva tecnicamente o que precisa. Funcionando de forma multimodal, a IA pode analisar a foto de um ambiente para sugerir os produtos mais adequados, aplicar descontos elegíveis em tempo real e realizar o cadastro e o fechamento do pedido na mesma janela de conversa [1].
“Buscamos oferecer uma experiência de compra humanizada, fluida e personalizada por meio da assistência do Ninja.”
Esse desenho já aponta para o próximo público-alvo da ferramenta: pessoas sem conhecimento técnico sobre hardware, que hoje dependem de terceiros para tomar essa decisão de compra.
Qual é o plano para chegar ao B2C?
A expansão para o consumidor final está prevista para acontecer de forma gradual ainda em 2026, e não em um único lançamento. O próximo passo é integrar o Ninja ao "Monte seu PC", serviço da KaBuM! que garante a montagem profissional e certificada de computadores, permitindo que o cliente descreva o uso pretendido pelo chat e receba uma lista de componentes equilibrando custo e desempenho [1].
Só depois dessa etapa a empresa planeja liberar o serviço para toda a base de clientes.
Teixeira explicou que a versão para consumidor final não mira apenas o público gamer e entusiasta de tecnologia, mas também compradores leigos que precisam de orientação para escolher o produto certo, como um pai comprando um computador para um filho [1].
| Fase | Público | Estágio |
|---|---|---|
| 1 | Clientes B2B (empresas cadastradas) | Em operação [1] |
| 2 | Integração com o "Monte seu PC" | Anunciada, sem data fechada [1] |
| 3 | Liberação total para o B2C | Prevista até o fim de 2026 [1] |
Qual é o peso do B2B para a KaBuM! hoje?
O B2B não é uma aposta nova para a KaBuM!: a empresa já vinha estruturando uma unidade dedicada ao segmento desde o fim de 2024, com plano de lançamento de um espaço exclusivo para o corporativo no primeiro trimestre de 2025, com foco inicial em micro e pequenas empresas [3].
O Itaú Unibanco já figurava como cliente corporativo da varejista, mas a companhia observava um crescimento orgânico no número de CNPJs em sua carteira, o que motivou a criação de uma divisão específica para o setor [2].
Esse histórico ajuda a explicar por que a IA de compras nasceu primeiro para empresas: é o segmento onde a KaBuM! já tinha operação, dados de atendimento e uma equipe estruturada para testar o novo canal antes de expor a ferramenta ao público consumidor massivo.
Qual é o tamanho da operação da KaBuM! hoje?
A KaBuM! está próxima de atingir R$ 5 bilhões em faturamento anual, ante cerca de R$ 3,4 bilhões na época em que foi comprada pelo Magazine Luiza, em 2021 [2]. A base soma 8 milhões de clientes cadastrados, dos quais 3 milhões são ativos, com tíquete médio de R$ 1.250 [2].
A Black Friday, uma das datas mais importantes do calendário da operação, responde por cerca de 25% das vendas anuais da varejista [2]. É justamente às vésperas desse pico de demanda que a companhia decidiu validar sua IA conversacional em produção, primeiro em um público menor e mais previsível antes de abrir o canal para o volume do consumidor final.
O que essa sequência ensina a outros varejistas?
A decisão da KaBuM! de testar IA de compras primeiro no B2B, antes do B2C, oferece um modelo de adoção replicável: usar o segmento com maior volume de atendimento humano e processos mais previsíveis como ambiente de validação, para só depois escalar a ferramenta ao tráfego maior e mais heterogêneo do consumidor final.
Para varejistas que avaliam lançar assistentes conversacionais de IA em canais como WhatsApp, a sequência sugere um caminho de menor risco: começar onde o volume de chamados já é alto e o perfil de cliente é mais previsível, medir a precisão das recomendações e da conversão, e só então liberar o canal para uma base maior e mais heterogênea.
A integração com serviços já existentes, como o "Monte seu PC", também mostra que a IA generativa está sendo usada para embutir conhecimento técnico específico do catálogo, não apenas para automatizar respostas genéricas.
Fontes
- [1]Mobile Time, KaBuM lança AI Commerce ao B2B, mas mira B2C ainda em 2026 — mobiletime.com.br
- [2]NeoFeed, KaBuM!, do Magazine Luiza, prepara entrada no B2B e se aproxima dos R$ 5 bilhões de faturamento — neofeed.com.br
- [3]E-Commerce Brasil, KaBuM! mira início no mercado corporativo — ecommercebrasil.com.br



