Mercado Livre une passarela e carrinho de compras na SPFW
O Mercado Livre apresentou, em 14 de outubro, seu desfile próprio na 61ª edição da São Paulo Fashion Week (SPFW), no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera. As peças exibidas na passarela já estavam à venda no marketplace, e a semana de moda contou com um estúdio de live commerce dedicado a vender os looks apresentados [1].
A iniciativa resume a aposta da companhia: transformar um evento de moda em vitrine de conversão direta. Uma peça pode aparecer no desfile, ser destacada numa transmissão ao vivo e, na sequência, ser encontrada para compra dentro do aplicativo, encurtando o caminho entre inspiração e checkout [1].
Marcas com loja oficial no marketplace entram na curadoria
O desfile "O Brasil de encontros" reuniu marcas que mantêm operação oficial dentro do Mercado Livre, reforçando a conexão entre a passarela e o catálogo do marketplace. A curadoria foi assinada pelo stylist Daniel Ueda, com direção artística de Taís Pacheco e direção de backstage de Ed Benini [1][2].
Participaram do desfile:
Todas essas marcas têm loja oficial no marketplace [1]. A escolha reforça um movimento que vem ganhando força no varejo de moda, de marcas que antes concentravam vendas em lojas próprias e passaram a abrir operações oficiais em marketplaces, como fez a joalheria Pandora ao estrear no Mercado Livre em 2025 [1].
- Farm
- Nike
- Melissa
- Crocs
- Saint Germain
- Hering
- Puma
Estúdio de live commerce roda seis horas por dia
O estúdio de live commerce é a principal aposta para converter a visibilidade do evento em vendas. As transmissões foram comandadas por criadores de conteúdo e afiliados do Mercado Livre, com seis horas diárias de programação ao vivo durante a semana de moda [1][2].
“Moda é uma categoria estratégica para o Mercado Livre e também um território de expressão, descoberta e conexão com o consumidor. Nossa presença na semana de moda reforça esse movimento, aproximando tendências e diferentes estilos da experiência de compra.”
A programação destacou os looks do desfile e direcionou o público para a compra dos produtos na plataforma, misturando entretenimento e venda em tempo real [1].
Moda é uma das categorias que mais crescem no e-commerce brasileiro
A moda cresceu 35% no e-commerce brasileiro em 2025, segundo levantamento da Nuvemshop, o que explica por que marketplaces generalistas como o Mercado Livre têm reforçado investimento no segmento [1]. Nessa disputa, o Mercado Livre concorre por atenção e gasto do consumidor com plataformas como Shein e Shopee, que avançaram com força no varejo de moda digital no país [1].
No ranking de GMV (volume bruto de vendas) dos 300 maiores varejistas do Brasil, elaborado pelo Instituto Retail Think Tank (IRTT), o Mercado Livre aparece na liderança geral do comércio eletrônico, enquanto a Shein se consolida como a referência do segmento de moda [5][6].
| Marketplace | GMV (IRTT, 2024) | Posição no segmento |
|---|---|---|
| Mercado Livre | R$ 138,9 bilhões [6] | Líder geral do e-commerce brasileiro |
| Shein | R$ 15 bilhões [5] | Líder do segmento de moda entre marketplaces |
| Dafiti (GFG LatAm) | R$ 4,4 bilhões [6] | Especializada em moda e calçados |
Por que marketplaces apostam tanto em live commerce?
Marketplaces investem em live commerce porque o formato combina descoberta de produto, prova social e compra num único fluxo, reduzindo etapas entre a demonstração do item e o checkout. Nos Estados Unidos, a eMarketer projeta que o live commerce deve movimentar US$ 19,8 bilhões em 2026, alta de 35% sobre 2025 [4].
Segundo a mesma projeção, mais de 58 milhões de consumidores norte-americanos devem comprar nesse formato em 2026, o equivalente a quase um quarto dos compradores digitais do país [4]. Os dados indicam que as transmissões ao vivo não substituem os canais tradicionais de e-commerce, mas se consolidam como experiência complementar, baseada em descoberta, entretenimento e interação em tempo real [4].
É essa lógica que o Mercado Livre replica na SPFW: usar a passarela como gatilho de descoberta e o estúdio de live commerce como ponte até a compra, com criadores de conteúdo assumindo o papel que antes cabia ao vendedor de loja física [1].
Parceria de três anos consolida presença fixa na moda
O desfile de 2026 marca o segundo ano consecutivo do Mercado Livre como apresentador oficial da SPFW, dentro de uma parceria que já soma três anos de relacionamento com o evento [1]. Em 2025, ano em que a semana de moda celebrou três décadas, a companhia assumiu pela primeira vez o posto de apresentadora oficial, ao lado da Lei Rouanet [3].
Na ocasião, a diretora de marketplace do Mercado Livre, Anna Araripe, afirmou que "o objetivo é mostrar que, dentro da plataforma, é possível encontrar desde o básico até as grandes tendências que sobem às passarelas" [3]. Em 2026, além do desfile próprio, a empresa também patrocinou as apresentações dos estilistas Dario Mittmann, em homenagem aos 90 anos de Mauricio de Sousa, e Amir Slama.
Ambos os estilistas têm loja oficial na plataforma [1].
O que fica para quem vende moda em marketplace
Para marcas de moda, o caso do Mercado Livre mostra que a disputa por essa categoria não se resolve só no preço ou no frete: passa por presença cultural e conteúdo que crie descoberta de produto fora do site de busca. A combinação entre evento físico, loja oficial e transmissão ao vivo tenta capturar o consumidor em três momentos diferentes da jornada, da inspiração à compra [1].
Com a moda crescendo acima da média do e-commerce brasileiro e rivais como Shein já liderando o segmento entre os marketplaces, operações que ainda tratam loja oficial e conteúdo como iniciativas separadas tendem a perder espaço para quem já integra as duas pontas [1][5].
Fontes
- [1]E-Commerce Brasil, Do checkout às passarelas: Mercado Livre desfila na SPFW com peças e live commerce — ecommercebrasil.com.br
- [2]Propmark, Mercado Livre leva desfile autoral à SPFW com curadoria de Daniel Ueda — propmark.com.br
- [3]Meio & Mensagem, Estratégias das marcas para celebrar os 30 anos do SPFW — meioemensagem.com.br
- [4]E-Commerce Brasil, Live commerce cresce 35% nos EUA em 2026, aponta eMarketer — ecommercebrasil.com.br
- [5]E-Commerce Brasil, Moda ganha espaço entre os maiores marketplaces do Brasil — ecommercebrasil.com.br
- [6]Tecnoblog, O que é marketplace? Confira as principais plataformas do segmento — tecnoblog.net



