Como a Orfeu saiu do papel e chegou a 800 pedidos por dia no e-commerce
EstratégiaNotícia

Como a Orfeu saiu do papel e chegou a 800 pedidos por dia no e-commerce

Orfeu saiu de 150 para 800 pedidos diários no e-commerce após trocar papel por WMS, coletores de dados e IA na intralogística.

Por VTEX23 de out. de 20266 min de leitura
WMS e-commerceintralogísticaOrfeu e-commerceTotvsautomação de armazém

Orfeu multiplicou os pedidos diários depois de deixar o papel para trás

Há um ano, o centro de distribuição da Orfeu, marca de cafés especiais, atendia de 100 a 150 pedidos de e-commerce por dia, com boa parte do controle feito em papel [1]. Depois de implantar um sistema de gerenciamento de armazém (WMS) e coletores de dados, a operação já chegou a atender 800 pedidos em um único dia [1].

O case foi apresentado em 13 de outubro, durante o Universo Totvs 2026, em São Paulo, ao lado do Grupo BT, distribuidor de equipamentos de proteção individual e materiais de manutenção [1].

As duas empresas mostraram como dados e automação mudam a rotina dentro do armazém: onde fica cada produto, quanto tempo o separador leva para montar um pedido e quanto o gestor consegue enxergar da operação sem sair da mesa [1].

Para quem vende online no Brasil, o salto da Orfeu importa menos pelo número absoluto e mais pela origem do problema: a pressão veio do próprio consumidor final, que passou a cobrar rastreio rápido assim que o pedido saía do carrinho.

Qual escala mede a maturidade da intralogística de um e-commerce?

A consultoria Gartner divide a movimentação de produtos dentro do armazém em cinco níveis de maturidade: manual, controlado, conectado, inteligente e autônomo, e hoje 72% das empresas estão no nível três ou abaixo [1]. O salto para o quarto nível, em que a inteligência artificial (IA) passa a antecipar problemas, esbarra na forma como os sistemas conversam entre si.

Para a Totvs, fornecedora do WMS usado nos dois cases, uma integração que apenas leva a nota fiscal ou o cadastro do cliente de um sistema para outro já não é suficiente: é preciso ter a informação de ponta a ponta numa mesma plataforma [1]. A empresa afirma ter levado três anos só para definir a arquitetura de dados de suas soluções de logística [1].

Essa é a barreira que separa a maioria das operações brasileiras, ainda presas a planilhas e sistemas que não trocam dado em tempo real, de uma intralogística que de fato prevê gargalos antes que eles travem a expedição.

O CD da Orfeu trocou papel por coletores de dados e painéis em tempo real

A resposta da Orfeu começou pela limpeza da própria base antes de qualquer automação. Ricardo Madureira, CEO da empresa, contou que o cliente do e-commerce espera receber rápido o código de rastreio, o que exigia um sistema capaz de acompanhar a mudança da operação [1].

“Hoje ele ficou muito menos dependente do supervisor ali ou do líder do setor e deu uma certa autonomia para ele.”
Ricardo Madureira, CEO da Orfeu [1]

"Nós, por exemplo, tivemos que fazer um saneamento enorme no nosso banco de dados, porque a gente já vinha acostumado com um processo manual e precisamos nos adequar, e ali foi onde a gente viu oportunidade de arrumar a casa", afirmou Madureira [1].

Com os coletores, a equipe passou a gerar e atender demandas dentro dos horários de corte das transportadoras, e os indicadores da operação foram parar em televisões espalhadas pelo armazém [1]. O operador também ganhou acesso direto a informações como endereços vazios e saldo de estoque.

Grupo BT reduziu o tempo de separação ao reorganizar o mapa do armazém

No Grupo BT, o WMS foi implantado há seis meses e a mudança começou pela própria gestão, segundo Itamar Rogério Bacho, gerente de tecnologia da informação do grupo [1]. Antes, o gerente logístico ficava no meio da operação; hoje acompanha tudo por um painel [1].

Com um mapa de calor do armazém, a empresa levou os produtos de maior saída para perto da área de conferência e para os níveis mais baixos das estantes, que têm cinco andares [1]. O operador deixou de esperar a empilhadeira para buscar um item de alto giro, e o número de pedidos separados cresceu 20%, com a operação passando a ocupar menos espaço [1].

A tabela resume o antes e depois relatado pelas duas empresas no painel:

A rastreabilidade também chegou ao cliente final. Quando um comprador reclama de item faltando ou com defeito, a BT consegue verificar o horário e a forma como a caixa foi conferida, o que passou a dar confiança ao time comercial sobre o estoque mostrado pelo sistema [1]. "Antigamente, ele chegava na posição, não tinha o produto. É um cliente não atendido", resumiu Bacho [1].

EmpresaAntes do projetoDepois do projeto
Orfeu100 a 150 pedidos/dia, controle em papel [1]Pico de 800 pedidos em um único dia [1]
Grupo BTGerente logístico operando dentro do galpão [1]+20% em pedidos separados, menos espaço ocupado [1]

Quem é a Orfeu e por que o e-commerce virou prioridade

A Orfeu nasceu em 1995, quando Roberto Irineu Marinho, acionista do Grupo Globo, adquiriu a Fazenda Sertãozinho, em Botelhos, no Sul de Minas Gerais [2]. O e-commerce já havia se mostrado um canal estratégico antes mesmo do projeto de WMS: durante a pandemia, as vendas online da marca cresceram 60%, enquanto o setor de cafés especiais como um todo crescia 40% [2].

Esse avanço não parou. Entre 2021 e 2022, as vendas da Orfeu na Amazon subiram 200%, e a marca passou a vender também na Amazon dos Estados Unidos para atender brasileiros residentes no exterior [3].

Hoje o B2C, que inclui varejo e e-commerce, representa mais da metade da receita da companhia [3]. É esse volume crescente, e a exigência de entrega rápida que vem com ele, que forçou o centro de distribuição a abandonar o controle manual.

Inteligência artificial já automatiza tarefas no chão do armazém

Com um ano de projeto, a Orfeu já liberou o uso de IA para a equipe operacional: três pessoas que conheciam bem a rotina do armazém passaram a usar o assistente da Totvs para automatizar tarefas e criar guias de consulta [1].

Madureira deu um exemplo prático da diferença: rastrear a movimentação de um item no sistema de gestão exigia cerca de 30 cliques; com o agente, basta enviar uma mensagem de áudio para receber a resposta de rastreabilidade [1].

A Totvs também apresentou agentes em desenvolvimento. Um deles, voltado ao recebimento, indica qual nota fiscal conferir primeiro quando há vários caminhões na doca, com base no estoque abaixo do ideal e nos pedidos que aguardam aquele produto, e sugere o funcionário mais rápido para a tarefa [1].

"Penso em melhorar a capacidade humana, mas também melhorar a capacidade de negócio", disse Evandro, responsável pelo produto de dados da Totvs [1].

Os dois executivos dos cases concordaram num ponto: tecnologia sem mudança de processo não entrega resultado. "Tirar um produto, trazer outro sem mexer em processo, geralmente não dá certo", resumiu o representante da Totvs que mediou o painel [1]. Bacho completou: "Eu também não acredito que a IA vai substituir o ser humano. Eu acho que a IA veio para complementar, para ajudar" [1].

O que o case ensina para quem opera um e-commerce no Brasil

A lição comum aos dois cases é que a tecnologia só rendeu ganho depois que as empresas arrumaram a casa antes de automatizar. Para quem avalia um projeto parecido, os passos que apareceram nos dois relatos foram:

Nenhuma das duas empresas tratou a IA como substituta do time de armazém. Em ambos os cases, o ganho citado foi de autonomia e velocidade para quem já trabalhava na operação, não de corte de pessoal, o que também respondeu à pressão real do cliente final por um rastreio de pedido mais rápido e confiável.

  1. 1Saneamento da base de dados antes de qualquer implantação de WMS, para não automatizar um processo manual cheio de inconsistência.
  2. 2Coletores de dados em campo, substituindo planilha e papel por leitura em tempo real do estoque e da separação.
  3. 3Indicadores visíveis para toda a operação, não só para a gestão, via painéis e televisões no armazém.
  4. 4Reorganização física do espaço (mapa de calor) para aproximar os itens de maior giro da área de conferência.
  5. 5Liberação gradual de agentes de IA para tarefas específicas, mantendo o time operacional no centro da decisão.

Fontes

  1. [1]E-Commerce Brasil, Como a Orfeu saiu do papel e chegou a 800 pedidos por dia no e-commerce — ecommercebrasil.com.br
  2. [2]Exame, E-commerce da Orfeu, marca de café dos Marinho, cresce 60% na pandemia — exame.com
  3. [3]Meio & Mensagem, Orfeu quer levar Brasil para mercado internacional — meioemensagem.com.br