Quality Digital reposiciona oferta de serviços digitais em torno de agentes de IA
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Quality Digital reposiciona oferta de serviços digitais em torno de agentes de IA

Quality Digital, listada na B3, usa agentes de IA e o modelo Service as Software para reprecificar serviços digitais por resultado.

Por VTEX28 de set. de 20264 min de leitura
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O que muda na oferta da Quality Digital?

A Quality Digital, prestadora de serviços de tecnologia listada na B3, está reposicionando sua oferta sob o conceito de "Service as Software": agentes de inteligência artificial (IA) passam a executar parte das atividades hoje realizadas por equipes humanas, enquanto especialistas ficam responsáveis pela estratégia, supervisão e validação das entregas [1].

“A IA aumenta exponencialmente o que uma operação consegue fazer e o conhecimento humano dá contexto, direção e responsabilidade a essa escala.” -- Julio Britto, CEO da Quality Digital [1]”

A mudança pode alterar a forma como serviços de tecnologia são cobrados. Em vez de associar a receita principalmente ao número de profissionais alocados ou às horas trabalhadas, o modelo proposto vincula a contratação aos resultados entregues [1].

A empresa, porém, não detalhou publicamente quais serviços já são cobrados dessa forma nem apresentou indicadores de produtividade ou retorno obtidos com a nova estrutura até o momento [1].

Como funciona o framework que orquestra agentes e pessoas?

A Quality Digital usa o Traction, um framework próprio que distribui tarefas entre agentes de IA e profissionais humanos conforme o tipo de atividade e o nível de risco envolvido. Segundo a empresa, a abordagem poderá ser aplicada a áreas como desenvolvimento de software, dados, infraestrutura de TI, comércio digital e experiência do cliente [1].

Na prática, isso significa que tarefas repetitivas ou de alto volume, como triagem de chamados, geração de relatórios ou monitoramento de indicadores, podem ser conduzidas por agentes, enquanto decisões estratégicas, validação de entregas e correção de desvios permanecem com especialistas humanos.

O reposicionamento ocorre em meio a uma discussão mais ampla sobre o impacto da IA no mercado de serviços de tecnologia. A consultoria Foundation Capital estima em US$ 4,6 trilhões os gastos empresariais que poderão ser afetados por essa transformação nos próximos cinco anos. É uma projeção de mercado potencial, não uma expectativa de receita da própria Quality Digital [1].

Por que o comércio digital entra nessa lista de aplicações?

O comércio digital é citado explicitamente entre as áreas onde a Quality Digital pretende aplicar o modelo de agentes combinados com supervisão humana, ao lado de dados, infraestrutura de TI e experiência do cliente [1]. Isso não é uma aposta isolada: a empresa já vinha testando esse tipo de execução automatizada em operações de varejo digital antes de formalizar o reposicionamento em torno do conceito de Service as Software.

Um exemplo é o case com a marca de moda Osklen, que registrou crescimento de até cinco vezes na conversão de recuperação de pedidos em canais conversacionais depois de integrar dados, atendimento e execução ao longo da jornada de compra [2].

O resultado foi apresentado pela Quality Digital como aplicação prática de um mapa operacional que trata catálogo, pagamento, logística e atendimento como camadas de uma mesma rede de decisões, em vez de etapas isoladas de um funil sequencial [2].

Para quem opera e-commerce, B2B, D2C ou marketplace, esse é o tipo de terreno onde agentes de IA tendem a aparecer primeiro:

  1. 1Recuperação de carrinho abandonado;
  2. 2Triagem de pedidos com divergência de estoque;
  3. 3Respostas de primeiro nível em atendimento pós-venda.

O Brasil já está pronto para essa escala de automação?

Não totalmente. Apenas 17% das empresas brasileiras estão em estágio de adoção consolidada de agentes de IA, enquanto 40% ainda aceleram iniciativas internas, segundo a segunda edição do estudo "Work: In Progress", do Google Cloud, com dados da IDC e da Provokers [3].

O Brasil está à frente da média latino-americana, mas a distância entre experimentar e efetivamente rodar agentes em produção continua relevante para quem avalia fornecedores como a Quality Digital.

Segundo o estudo, a dificuldade não está em criar um protótipo, e sim em levá-lo à produção com segurança, governança de dados e gestão de risco em escala, um obstáculo citado por executivos do Google Cloud durante a apresentação do levantamento [3].

IndicadorBrasilAmérica Latina
Adoção consolidada de agentes de IA17% [3]12% [3]
Empresas em fase de aceleração40% [3]35% [3]
Profissionais que usam agentes de IA no trabalho59% [3]54% [3]

O que isso significa para quem compra serviços de tecnologia no varejo digital?

O anúncio da Quality Digital é um sinal de que fornecedores de serviços de TI para o varejo e o comércio digital estão testando modelos de cobrança atrelados a resultado, e não apenas a horas ou headcount alocado [1].

Para times de e-commerce que hoje contratam integrações, manutenção de plataforma ou operação de atendimento por squads dimensionados em pessoas, isso pode significar propostas comerciais diferentes nos próximos ciclos de negociação.

Vale, porém, ponderar a lacuna entre o discurso e a comprovação: a própria Quality Digital não divulgou publicamente quais contratos já usam esse modelo de cobrança por resultado, nem métricas agregadas de produtividade além do case pontual da Osklen [1] [2].

Como o restante do mercado brasileiro, ainda em fase de aceleração segundo o Google Cloud, a validação em escala desse tipo de proposta comercial deve ser um critério de avaliação, não uma premissa, para quem escolhe parceiros de tecnologia [3].

Fontes

  1. [1]IT Forum, Quality Digital reposiciona oferta de serviços digitais em torno de agentes de IA — itforum.com.br
  2. [2]IT Forum, Quality Digital aponta execução como desafio do e-commerce — itforum.com.br
  3. [3]IT Forum, Apenas 17% das empresas consolidam agentes de IA, aponta estudo do Google Cloud — itforum.com.br